A Unilever divulgou resultados consistentes no segundo trimestre de 2026, confirmando os avanços estruturais promovidos pelo seu Plano de Ação de Crescimento (Growth Action Plan). O crescimento de vendas subjacente (Underlying Sales Growth - USG) acelerou para 5,8% no segundo trimestre, com o faturamento semestral consolidado atingindo aproximadamente € 31,1 bilhões. O principal destaque do período foi a qualidade do faturamento, predominantemente liderado pela recuperação de demanda em volume físico, superando as projeções do mercado e distanciando a multinacional da dependência exclusiva de repasses de preços observada em ciclos inflacionários passados.
O volume de vendas subjacente (Underlying Volume Growth - UVG) registrou uma alta de 5,5% no segundo trimestre, configurando o melhor desempenho trimestral em expansão de volume da companhia desde 2010, enquanto o efeito preço (Underlying Price Growth) contribuiu de forma moderada com 0,3%. Essa dinâmica positiva refletiu a estratégia deliberada de concentrar investimentos em inovação, formulação e marketing de grande escala nas suas 30 marcas de liderança (Power Brands). Esse grupo prioritário de marcas passou a representar 78% do volume de negócios da multinacional e superou a média do grupo, apresentando taxas de crescimento mais vigorosas tanto em mercados desenvolvidos quanto em economias emergentes.
No plano da rentabilidade, a margem operacional subjacente apresentou sólida expansão no primeiro semestre, sustentada pela recuperação contínua da margem bruta e pela diluição de custos fixos industriais. A redução nos custos de matérias-primas químicas e agrícolas, combinada com ganhos de eficiência em compras globais, abriu espaço para um aumento expressivo nos investimentos em publicidade e suporte de marca (brand and marketing investment). Essa postura garantiu competitividade nas gôndolas sem comprometer a geração de caixa operacional livre, permitindo um crescimento de dois dígitos no lucro por ação subjacente em base cambial constante.
Em termos de governança e portfólio corporativo, a Unilever avançou na execução do processo de separação da sua divisão de sorvetes (Ice Cream demerger), com previsão de conclusão plena até o encerramento do exercício de 2026. A segregação definitiva desse negócio busca simplificar a estrutura operacional e eliminar a sazonalidade e a complexidade logística da cadeia de frio refrigerado, permitindo que a liderança corporativa dedique foco total às quatro categorias de maior crescimento e margem: Beleza e Bem-Estar (Beauty & Wellbeing), Cuidados Pessoais (Personal Care), Cuidados com a Casa (Home Care) e Nutrição (Nutrition).
A política de retorno de capital permaneceu ativa ao longo do semestre. A administração declarou um dividendo trimestral referente ao segundo trimestre de € 0,4664 por ação, marcando um incremento anual frente a 2025, além de concluir a execução do seu programa de recompra de ações no valor de € 1,5 bilhão. A gestão do balanço manteve o índice de dívida líquida sobre EBITDA subjacente em patamar conservador, assegurando capacidade de investimento estratégico contínuo e flexibilidade para potenciais aquisições táticas no segmento de dermocosméticos e nutrição especializada.
Conclusão do analista
A Unilever é uma empresa tradicional e sólida, com diferenciais competitivos, mas que dificilmente crescerá de forma relevante o seu valor de mercado. Apesar de ter sofrido queda de receitas na última década, seus lucros permaneceram estáveis e sua geração de caixa livre aumentou. Ponderando os pontos positivos e negativos da companhia, recomendamos a compra das ações da Unilever (ULEV34) para quem busca empresas mais previsíveis e pagadoras de dividendos.