A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) divulgou seus resultados financeiros oficiais referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26), apresentando um desempenho operacional e financeiro impulsionado pelo avanço da infraestrutura global de inteligência artificial. A receita líquida consolidada da companhia atingiu o recorde de NT$ 1.270,38 bilhões (aproximadamente US$ 40,20 bilhões), o que representa uma robusta expansão de 36,0% na comparação interanual em moeda local (33,7% em dólares norte-americanos) e um avanço sequencial de 12,0% frente ao primeiro trimestre de 2026.
Esse montante superou o limite superior das projeções (guidance) anteriormente informadas pela administração para o período. Acompanhando o forte ritmo de faturamento, o lucro líquido da fabricante totalizou NT$ 706,56 bilhões (cerca de US$ 22,35 bilhões), refletindo um expressivo crescimento de 77,4% em relação ao segundo trimestre de 2025. O lucro diluído por ação (EPS) avançou na mesma proporção interanual de 77,4%, encerrando o trimestre em NT$ 27,25 (equivalente a US$ 4,31 por ADR). Em termos trimestrais, o lucro líquido registrou uma alta de 23,4% sobre o 1T26, consolidando o momento de forte alavancagem operacional da operação diante de um cenário de demanda altamente aquecida.
As margens de rentabilidade alcançaram patamares recordes históricos para a companhia, beneficiadas pelas elevadas taxas de utilização da capacidade fabril e por um mix de produtos de maior valor agregado. A margem bruta subiu para 67,7%, indicando uma melhora de 1,5 ponto percentual sequencial e um ganho de 9,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Paralelamente, a margem operacional expandiu para 60,3% (frente aos 58,1% do trimestre anterior) e a margem líquida consolidada fechou em 55,6%, reforçando o controle de custos em escala global.
Sob a ótica operacional, a demanda por tecnologias avançadas — definidas como processos de fabricação de 7 nanômetros ou menores — manteve-se como o vetor preponderante do negócio, respondendo por 77,0% da receita total de wafers de silício. De forma individualizada, a tecnologia de 5 nanômetros representou 33,0% das vendas físicas do período, seguida pelo nó de 3 nanômetros com 30,0% e pelo de 7 nanômetros com 11,0%.
A tecnologia de 2 nanômetros, recém-introduzida na produção em larga escala, já contribuiu com 3,0% da receita de wafers, indicando uma curva de transição tecnológica inicial bastante ágil. Na divisão por segmentos de mercado, a vertical de Computação de Alto Desempenho (HPC), que engloba os chips voltados para servidores corporativos e aceleradores de inteligência artificial, representou 66,0% do faturamento da TSMC.
O setor de smartphones, que atravessou um trimestre de sazonalidade mais fraca, respondeu por 22,0% das receitas operacionais, enquanto o segmento de Internet das Coisas (IoT) representou 5,0%, evidenciando que a infraestrutura corporativa e de nuvem segue sobrepondo-se ao consumo direto de eletrônicos de massa. Com o objetivo de suportar o acelerado crescimento da demanda por semicondutores de última geração, a TSMC revisou para cima o seu orçamento de investimentos em bens de capital (capex) para o ano consolidado de 2026.
O plano de investimentos, anteriormente projetado ao redor de US$ 56,00 bilhões, foi elevado para um intervalo entre US$ 60,00 bilhões e US$ 64,00 bilhões. Esses recursos serão direcionados prioritariamente para a expansão da capacidade produtiva do nó N3 (3 nanômetros) e para o avanço de novos complexos industriais (fabs) situados em Taiwan, no estado do Arizona (Estados Unidos) e no Japão.
Para o terceiro trimestre de 2026, a administração projeta receita líquida consolidada na faixa de US$ 44,60 bilhões a US$ 45,80 bilhões, o que representaria um avanço sequencial de 12,4% no ponto médio da estimativa. Contudo, a rápida expansão industrial e o início do ramp-up comercial do processo de 2 nanômetros devem pressionar ligeiramente as margens no curto prazo devido à diluição de custos de depreciação inicial, com estimativas de margem bruta entre 65,0% e 67,0%, e margem operacional entre 56,0% e 58,0%.
Conclusão do analista
A empresa enfrenta riscos, incluindo a intensa competição no setor de semicondutores e as pressões geopolíticas, especialmente em relação à China. Contudo, continua a demonstrar uma capacidade excepcional de adaptação e crescimento. Sua estratégia de manter um balanço patrimonial robusto e investir em inovação tecnológica tem posicionado a empresa para continuar liderando o mercado de semicondutores. Mesmo estando em um patamar de preços com margem de segurança apertada, acreditamos no case para o longo prazo, desta forma, temos a compra das ações da TSMC (TSM).