A Home Depot divulgou resultados sólidos para o segundo trimestre do ano fiscal de 2026, superando as estimativas do mercado e demonstrando resiliência comercial frente ao ambiente macroeconômico restritivo. A receita de vendas líquidas totalizou US$ 47,9 bilhões no período, correspondendo a uma expansão anual de 5,7% (acréscimo de US$ 2,6 bilhões) sobre os US$ 45,3 bilhões reportados no segundo trimestre fiscal de 2025. O desempenho do faturamento consolidado refletiu a tração continuada nas operações de varejo e a contribuição da expansão da plataforma logística voltada ao atendimento de empreiteiros e profissionais da construção civil.
As vendas no conceito mesmas lojas (comparable sales) avançaram 1,7% no consolidado e registraram alta de 1,3% na divisão dos Estados Unidos, alcançando o melhor ritmo de crescimento orgânico trimestral da rede em quase quatro anos. O comportamento da demanda evidenciou um engajamento consistente do consumidor em reformas de menor porte, manutenções rotineiras e reparos emergenciais (smaller projects), o que sustentou a circulação e o fluxo de transações nas lojas físicas. Por outro lado, as categorias discricionárias de alto tíquete e projetos residenciais de grande envergadura continuaram registrando postergações de compra por parte das famílias em virtude do custo elevado do crédito.
A rentabilidade contábil acompanhou o ganho de eficiência da operação, registrando lucro líquido de US$ 4,8 bilhões no trimestre, ante US$ 4,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. O lucro por ação diluído (diluted EPS) contábil atingiu US$ 4,79, superando os US$ 4,58 apurados no segundo trimestre fiscal de 2025. Em termos ajustados (adjusted diluted EPS), o lucro por ação fixou-se em US$ 4,92, comparado a US$ 4,68 no ano anterior. O lucro bruto somou US$ 16,11 bilhões, com o controle estrito de perdas de inventário e disciplina nas despesas administrativas compensando pressões inflacionárias pontuais em combustíveis e insumos logísticos.
No âmbito da infraestrutura comercial e capacidade instalada, a companhia encerrou o segundo trimestre fiscal operando 2.364 lojas de varejo e mais de 1.340 filiais de distribuição especializada através da recém-integrada SRS Distribution. O avanço na vertical de distribuição especializada ampliou consideravelmente a penetração da empresa no segmento profissional (Pro), integrando canais de entrega direta no canteiro de obras para produtos de alta complexidade técnica, como coberturas e infraestrutura predial, e criando oportunidades de venda cruzada com o sortimento tradicional das lojas de varejo.
A administração da Home Depot reiterou integralmente suas projeções (guidance) para o fechamento do ano fiscal de 2026. A petroleira de varejo prevê crescimento de vendas totais entre 2,5% e 4,5%, com vendas mesmas lojas oscilando entre estabilidade (flat) e alta de até 2,0%, além da abertura de aproximadamente 15 novas unidades. A margem operacional ajustada projetada situa-se na faixa de 12,8% a 13,0%, com o lucro por ação diluído ajustado projetado para crescer entre 0% e 4,0% em relação aos US$ 14,69 alcançados no exercício anterior. Os investimentos em despesas de capital (capex) devem se manter em aproximadamente 2,5% da receita anual, com restituições tarifárias mitigando variações imprevisíveis na cadeia de suprimentos.
Conclusão do analista
A Home Depot é líder em seu setor de atuação, o varejo de materiais de construção, com canais de vendas físicos e digitais fortes e treinamentos específicos para seus produtos. A empresa tem apresentado crescimento financeiro, com aumento de receitas, ticket médio por metro quadrado em suas lojas e lucros. Apesar de possuir um ótimo modelo de negócios, o valor de mercado da empresa está acima da margem de segurança desejada, portanto, optamos por ficar de fora das ações da empresa no momento.