A AbbVie apresentou um conjunto operacional e financeiro bastante positivo no segundo trimestre de 2026, consolidando de maneira definitiva a sua transição operacional após o período mais crítico de perda de exclusividade de patentes. A receita líquida mundial alcançou US$ 16,99 bilhões no trimestre encerrado em 30 de junho de 2026, o que representou uma expansão anual de 10,2% em base reportada e de 9,5% em termos operacionais. O desempenho do faturamento consolidado foi impulsionado pela expressiva aceleração de seus novos medicamentos biológicos nos segmentos de imunologia e neurociência, superando as estimativas consensuais de Wall Street.
No âmbito da rentabilidade por ação e margens operacionais, a farmacêutica reportou lucro por ação diluído contábil (GAAP) de US$ 2,03, revertendo com folga a base comparativa anterior ao avançar 290,4%. Em base ajustada (adjusted diluted EPS), o lucro por ação fixou-se em US$ 3,65, assinalando um crescimento de 22,9% frente ao segundo trimestre de 2025, mesmo após absorver um impacto negativo de US$ 0,17 por ação referente a despesas com pesquisa e desenvolvimento adquirida (acquired IPR&D) e desembolsos por marcos de desenvolvimento. A eficiência de escala permitiu à companhia atingir uma margem operacional ajustada de 48,3% no trimestre, comparada a uma margem contábil de 37,9%, demonstrando forte conversão de faturamento em fluxo operacional.
A franquia de imunologia confirmou seu papel como principal pilar da tese de crescimento, totalizando receitas de US$ 8,78 bilhões e registrando um avanço anual de 15,1% (14,6% operacional). Esse resultado foi alavancado pela contínua penetração do Skyrizi, cuja receita mundial disparou 24,4% para US$ 5,505 bilhões, e pelo Rinvoq, que expandiu 24,5% para US$ 2,525 bilhões. Somados, os dois medicamentos ultrapassaram a barreira de US$ 8,0 bilhões em vendas no trimestre, superando com folga o recuo programado do Humira, que faturou US$ 756 milhões (queda anual de 35,9% reportada e 36,1% operacional) diante da erosão contínua causada pela entrada de produtos biossimilares no mercado global.
Nos demais segmentos terapêuticos, a divisão de neurociência destacou-se com alta de 20,3% em vendas mundiais, somando US$ 3,22 bilhões, ancorada pelo antipsicótico Vraylar (US$ 1,071 bilhão, alta de 18,9%), pelo Botox Terapêutico (US$ 1,042 bilhão, alta de 12,2%) e pelo dinamismo dos tratamentos para enxaqueca Qulipta e Ubrelvy. Na oncologia, o faturamento atingiu US$ 1,650 bilhão, moderado em 1,5% pela retração do Imbruvica (US$ 532 milhões, recuo de 29,4%), embora sustentado pelo crescimento de dois dígitos do Venclexta (US$ 771 milhões, alta de 11,6%) e pelo avanço do Elahere (US$ 211 milhões, expansão de 33,1%). Já a área de estética manteve faturamento estável em US$ 1,282 bilhão (alta de 0,3%), com o Botox Cosmético crescendo 5,2% para US$ 728 milhões e contrabalançando a desaceleração na linha de preenchedores Juvederm.
Em paralelo aos resultados operacionais, a AbbVie anunciou a celebração de um acordo definitivo para a aquisição da Apogee Therapeutics pelo valor patrimonial de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, reforçando sua liderança de longo prazo em doenças inflamatórias e dermatológicas com anticorpos de meia-vida estendida em estágio clínico. Em virtude dessa transação estratégica, a companhia revisou sua faixa de projeção (guidance) de lucro por ação diluído ajustado para todo o ano de 2026 de US$ 13,91 – US$ 14,11 para o intervalo de US$ 13,87 a US$ 14,07. Essa revisão reflete a incorporação de um impacto dilutivo de US$ 0,14 decorrente do fechamento da aquisição, amortecido por US$ 0,10 de sobreperformance operacional do negócio principal.
Conclusão do analista
Considerando o estágio atual de reposicionamento estratégico e o valuation com base no ciclo operacional, entendemos que as ações da AbbVie não oferecem assimetria de retorno atrativa no momento. Diante disso, preferimos ficar de fora das ações da AbbVie (ABBV) por enquanto, mas manteremos a empresa no radar.