A Visa divulgou os resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de seu ano fiscal de 2026, encerrado em março de 2026, revelando um desempenho operacional sólido e um crescimento que superou de forma expressiva as expectativas de consenso do mercado global.
O período foi marcado pela maior aceleração nas receitas da companhia desde o ano de 2022, evidenciando a contínua resiliência do consumo global e a eficiência da empresa em capturar volumes transacionais em canais digitais e físicos. Sob a ótica fundamentalista, os dados refletem uma forte alavancagem operacional e a consolidação de novas verticais de negócios estratégicos.
A receita líquida consolidada da companhia atingiu US11,23 bilhões no trimestre, o que representa uma expansão interanual de 17% em termos absolutos e de 16% quando ajustada por moeda constante. Esse avanço foi impulsionado pelo crescimento genuíno em todas as principais linhas de receita do ecossistema, com destaque para as receitas de processamento de dados e serviços de valor agregado. A receita líquida superou as projeções prévias dos analistas, sinalizando que a desaceleração macroeconômica global tem impactado o volume de gastos discricionários em menor grau do que o inicialmente antecipado.
Na desagregação por linhas de faturamento, a receita de processamento de dados consolidou-se como a principal geradora de recursos, avançando 18% no confronto anual e atingindo US$5,50 bilhões. As receitas de serviços registraram expansão de 13%, totalizando US$5,00 bilhões, sendo reconhecidas com base no volume de pagamentos do trimestre imediatamente anterior.
Já a receita de transações internacionais, diretamente atrelada ao fluxo turístico e corporativo global, apresentou um avanço de 10%, somando US$3,60 bilhões. Por fim, as outras receitas operacionais registraram um salto de 41% para US$ 1,30 bilhão, enquanto os incentivos concedidos a clientes corporativos aumentaram 14%, totalizando US$4,20 bilhões.
Em termos operacionais, o volume total de transações processadas pela Visa somou 66,10 bilhões de operações na janela de três meses, o que representa um incremento de 9% na comparação com o segundo trimestre fiscal do ano anterior. O volume total de pagamentos em moeda constante registrou avanço de 9%, mantendo uma trajetória estável de crescimento geográfico amplo. O volume de transações internacionais (cross-border), indicador altamente rentável para a operação, expandiu 12% no total e 11% quando desconsideradas as transações internas no bloco europeu, demonstrando a recuperação consistente dos fluxos internacionais de viagens.
Os custos e despesas operacionais da Visa totalizaram US$4,00 bilhões no trimestre, registrando uma contração de aproximadamente 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa dinâmica deflacionária nos custos globais decorreu primordialmente da redução nas provisões para litígios judiciais, que recuaram de US$1,00 bilhão no segundo trimestre de 2025 para US$ 329 milhões no intervalo atual. Em contrapartida, as despesas corporativas recorrentes com pessoal apresentaram elevação, passando de US$ 1,66 bilhão para US$ 1,84 bilhão, refletindo reajustes estruturais e investimentos na força de trabalho técnica.
A geração de caixa e a estrutura patrimonial mantiveram um perfil conservador e altamente líquido, com a Visa encerrando o período com um saldo de US$14,20 bilhões distribuídos entre caixa, equivalentes de caixa e títulos negociáveis. A robustez operacional permitiu uma agressiva estratégia de alocação de capital e retorno aos acionistas, totalizando US$9,20 bilhões entre proventos e recompra de ações no trimestre.
A companhia realizou a recompra de aproximadamente 25 milhões de ações ordinárias de Classe A por um montante de US$7,90 bilhões, a um preço médio ponderado de US$ 320,66 por ação, além de obter do conselho de administração a aprovação de um novo programa plurianual de recompra no valor de US$20,00 bilhões.
Do ponto de vista de novos negócios e diretrizes estratégicas, a liderança executiva reportou avanços significativos na modernização e diversificação tecnológica de sua infraestrutura. A companhia intensificou os investimentos na expansão de sua arquitetura de serviços integrados, denominada de Visa as a Service, incorporando soluções que envolvem inteligência artificial e recursos voltados para transações com criptoativos estáveis (stablecoins). A estratégia visa posicionar a instituição não apenas como uma rede tradicional de cartões de crédito, mas como uma infraestrutura global e escalável para movimentação multicanal de fluxos monetários corporativos e de consumo.
Diante dos fundamentos trimestrais expostos, a avaliação geral dos resultados da Visa é amplamente positiva e demonstra a solidez do modelo de negócios da companhia. A aceleração da receita líquida para o maior ritmo desde 2022 atesta que a empresa possui um alto poder de precificação e mecanismos eficientes de proteção inflacionária, uma vez que sua receita flutua de modo nominal com o volume financeiro transacionado globalmente. O expressivo ganho de margem operacional decorrente da redução temporária de provisionamentos para contingências reforça a capacidade intrínseca de geração de valor em cenários econômicos maduros.
Conclusão do analista
Em resumo, a empresa possui fundamentos muito sólidos e um balanço muito forte. Apesar de ser negociada com múltiplos esticados devido às expectativas de crescimento e por possuir margens elevadas, a empresa ainda apresenta uma margem de segurança. O investidor deve estar ciente de que empresas com múltiplos mais elevados, como é o caso da Visa, podem apresentar riscos maiores e maior volatilidade nas cotações, por esse motivo é importante diversificar o portfólio. Desta forma, consideradas todas as qualidades e os riscos apontados até aqui, temos a recomendação de compra das ações da Visa (VISA34).