A Oracle divulgou seus resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 28 de fevereiro de 2026, demonstrando um desempenho operacional e financeiro robusto que superou significativamente as projeções consensuais do mercado.
O período foi marcado por uma aceleração histórica nos segmentos de computação em nuvem e infraestrutura voltada para a inteligência artificial (AI). Esse dinamismo operacional consolida a transição estrutural do modelo de negócios da companhia em direção a soluções de alta tecnologia e maior valor agregado.
A receita total consolidada da empresa atingiu US$ 17,19 bilhões no trimestre, representando uma expansão interanual de 22% em termos absolutos de dólares americanos e de 18% em moeda constante. O principal vetor desse avanço foi o faturamento vindo de serviços de nuvem (cloud revenues), que saltou 44% para US$8,91 bilhões, passando a representar, pela primeira vez na história da corporação, a maior fatia do faturamento total (52%). Em contrapartida, as receitas tradicionais de suporte e licenças de software apresentaram estabilidade relativa ao avançar apenas 3% na mesma base comparativa, totalizando US$6,10 bilhões.
No âmbito operacional interno do segmento de nuvem, as aplicações de Cloud Application (SaaS) faturaram US$4,00 bilhões, registrando uma alta de 13% em dólares. Dentro dessa divisão, os ecossistemas corporativos de planejamento mantiveram trajetórias saudáveis de expansão, com o Fusion Cloud ERP avançando 17% para US$1,10 bilhão e o NetSuite Cloud ERP expandindo 14%, atingindo também o patamar de US$ ,10 bilhão. O destaque isolado do trimestre, contudo, permaneceu com a receita de infraestrutura de inteligência artificial, que registrou um expressivo salto de 243% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As Obrigações de Desempenho Remanescentes (Remaining Performance Obligations – RPO), principal indicador antecedente de previsibilidade de receita futura, alcançaram a marca histórica de US$553 bilhões, refletindo um avanço de 325% ante o terceiro trimestre fiscal anterior. Esse crescimento sem precedentes decorre diretamente da assinatura de contratos de infraestrutura de AI em larga escala com grandes corporações. A administração reportou que tais compromissos possuem estruturas de mitigação de risco de liquidez, uma vez que parte relevante do maquinário necessário é financiada de forma antecipada por meio de pré-pagamentos dos próprios clientes.
O lucro líquido consolidado somou US$3,70 bilhões, o que representa uma elevação de 27% sobre os US$ 2,94 bilhões reportados no mesmo intervalo do ano anterior. Sob a ótica ajustada (non-GAAP), o lucro líquido expandiu 23%, atingindo o montante de US$ 5,20 bilhões. Como reflexo, o lucro por ação (EPS) diluído atingiu US$1,27 na visão contábil padrão e US$ 1,79 sob a metodologia não recorrente, superando a meta de consenso de US$1,70 traçada pelo mercado financeiro global.
Sob a perspectiva do fluxo de caixa e estrutura de capital, a geração de caixa operacional acumulada nos últimos doze meses atingiu US$23,50 bilhões, registrando uma evolução positiva de 13%. No entanto, o fluxo de caixa livre (free cash flow) consolidado das últimas quatro janelas trimestrais permaneceu em patamar negativo. Esse consumo líquido de recursos decorre exclusivamente do forte ciclo de investimentos (CapEx) direcionado à expansão da capacidade física e operacional de novos data centers, necessários para atender à elevada e urgente demanda global por processamento de dados.
No campo estratégico de alocação de capital e movimentos corporativos, a Oracle realizou investimentos relevantes ao assegurar uma participação acionária minoritária de 15% na operação norte-americana do TikTok (TikTok U.S.). Adicionalmente, para dar suporte financeiro ao seu agressivo plano de expansão de infraestrutura física, a companhia instituiu um programa de captação de recursos de até US$50 bilhões, do qual já liquidou com sucesso US$30 bilhões no próprio trimestre por meio de uma combinação de emissão de títulos de dívida com grau de investimento (investment grade bonds) e ações preferenciais conversíveis obrigatórias.
As projeções futuras fornecidas pela liderança executiva sinalizam resiliência e manutenção do atual momento operacional favorável para os próximos trimestres. O guidance para o quarto trimestre fiscal projeta uma expansão da receita total entre 19% e 21%, com o faturamento de nuvem crescendo de 46% a 50% em dólares, além de um lucro por ação ajustado estimado entre US$ 1,96 e US$2,00. Para o fechamento do ano completo de 2026, a empresa reiterou a estimativa de receita em US$67 bilhões, enquanto elevou a projeção de receita para o ano fiscal de 2027 para o patamar de US$90 bilhões.
Conclusão do analista
A Oracle mantém uma posição consolidada no setor de tecnologia corporativa, com forte presença em banco de dados, aplicações empresariais e soluções de nuvem, destacando-se pela transição estratégica para um modelo de receita recorrente com a Oracle Cloud Infrastructure e suas plataformas SaaS. A empresa combina margens operacionais robustas e geração consistente de caixa com políticas ativas de retorno ao acionista, ainda que opere com um nível de endividamento elevado, acentuado por aquisições como a da Cerner. Apesar dos desafios ligados à concorrência em cloud, à execução de integrações e ao declínio de segmentos legados, os fundamentos e o valuation indicam assimetria positiva no preço atual das ações, sustentando uma recomendação de compra para Oracle (ORCL).