A Micron Technology encerrou o primeiro trimestre fiscal de 2026 consolidando sua posição em um patamar de receitas historicamente elevado. A receita líquida reportada foi de US$10,2 bilhões, representando uma expansão contínua frente aos anos anteriores. Este resultado reflete a maturação do ciclo de inteligência artificial, que deixou de ser uma tendência emergente para se tornar a base principal da demanda por memórias de ultra-alta largura de banda no ecossistema de data centers globais.
No campo operacional, a companhia atingiu a plena escala de produção em seus nós tecnológicos de última geração. O principal driver de volume no trimestre foi a evolução das memórias HBM3E e o início da amostragem das soluções HBM4, voltadas para a próxima geração de GPUs e aceleradores. A eficiência produtiva permitiu à Micron manter uma participação de mercado estável, mesmo diante do aumento da capacidade produtiva por parte de seus concorrentes diretos no mercado asiático.
Os indicadores financeiros de rentabilidade mostraram resiliência, com a margem bruta situada em 42%, um avanço em relação às margens de recuperação observadas no início de 2025. O lucro líquido alcançou US$2,1 bilhões, demonstrando uma alavancagem operacional eficiente. O custo dos produtos vendidos foi impactado positivamente pela melhoria nos rendimentos das fábricas de vanguarda, compensando a pressão inflacionária em componentes químicos e insumos logísticos.
Em relação aos investimentos, o Capital Expenditure (CAPEX) totalizou US$4,1 bilhões no período. Estes recursos foram destinados à expansão das plantas de fabricação e, principalmente, ao avanço das instalações de teste e montagem avançada, gargalo crítico para a entrega de memórias HBM. A empresa também concluiu pequenas aquisições estratégicas voltadas para tecnologias de empilhamento de chips, visando manter a liderança em densidade de armazenamento.
A comparação interanual indica um crescimento de receita de aproximadamente 32% em relação ao primeiro trimestre fiscal de 2025. Na visão trimestral sequencial, o crescimento foi de 5%, sugerindo uma estabilização do mercado em níveis elevados após o crescimento explosivo dos últimos dois anos. O balanço entre oferta e demanda permanece equilibrado, com os preços de venda médios (ASPs) de DRAM sustentados pela escassez de capacidade para produtos premium.
Como pontos de atenção, destaca-se a necessidade de monitorar o ritmo de renovação de hardware no setor de dispositivos móveis. Embora o mercado de servidores siga aquecido, o segmento de consumo final ainda apresenta taxas de substituição alongadas, o que pode limitar a expansão das receitas de NAND. Além disso, a rápida evolução para o padrão HBM4 exige execução técnica impecável, sob risco de perda de participação para concorrentes que antecipem o cronograma de entrega.
O cenário geopolítico em 2026 continua sendo um fator de risco externo não desprezível. Restrições comerciais remanescentes e a política de incentivos para a fabricação doméstica de semicondutores nos Estados Unidos impõem custos adicionais de conformidade e realocação de infraestrutura. A gestão da Micron tem mitigado esses riscos através da diversificação geográfica de suas unidades de back-end, mas a exposição ao mercado asiático permanece elevada.
Conclusão do analista
O investidor deve considerar que, embora a narrativa de IA seja poderosa, a precificação atual deixa pouco espaço para erros de execução ou desaceleração do ciclo econômico. Desta forma, consideradas a qualidade incontestável do ativo, mas ponderando a assimetria desfavorável no preço atual sugerida pelo nosso fluxo de caixa descontado, adotamos uma postura de cautela, com recomendação neutra para as ações da Micron Technology (MU) no momento.