O desempenho financeiro e operacional da **Mastercard** no terceiro trimestre de 2025 (3T25) reforça a consistência do modelo de negócios da companhia e sua capacidade de execução em um ambiente macroeconômico ainda heterogêneo. No período, a receita líquida atingiu US$8,6 bilhões, representando um crescimento de 17% em relação aos US$7,4 bilhões registrados no 3T24. Em moeda constante, a expansão foi de 15%, refletindo tanto a resiliência do consumo global quanto a crescente relevância das soluções de serviços de maior valor agregado oferecidas pela empresa.
Os principais indicadores operacionais da rede de pagamentos mantiveram trajetória positiva. O Volume Bruto de Dólares (GDV) global cresceu 9% em moeda local, totalizando US$2,7 trilhões no trimestre, impulsionado por um avanço de 10% nos volumes de compra. O destaque ficou novamente para o volume transfronteiriço (cross-border), que registrou alta de 15%, evidenciando a normalização das viagens internacionais e a expansão do comércio eletrônico entre países — segmentos estruturalmente mais rentáveis para a Mastercard, em função das maiores taxas de processamento.
Uma transformação estrutural cada vez mais evidente no modelo de negócios da companhia é a aceleração do segmento de Serviços e Soluções de Valor Agregado. Essa divisão apresentou crescimento de receita de 25% (22% em moeda constante), superando com folga a expansão da rede tradicional de pagamentos. A demanda por soluções de cibersegurança, inteligência de dados, prevenção a fraudes e autenticação digital tem sido o principal vetor desse desempenho. Atualmente, esses serviços já representam uma parcela relevante do mix de receitas, conferindo maior previsibilidade e resiliência ao negócio frente a ciclos econômicos e oscilações no volume transacionado.
No campo da eficiência operacional, a Mastercard reportou um lucro operacional de US$5,1 bilhões, um avanço de 26% na comparação anual. A margem operacional GAAP expandiu para 58,8%, ante 54,3% no 3T24, refletindo uma alavancagem operacional clara, na qual o crescimento das receitas superou de forma significativa a expansão das despesas. Os custos operacionais totalizaram US$3,5 bilhões, um aumento de apenas 5%, demonstrando disciplina na gestão de despesas e capacidade de absorver aquisições recentes — como a Recorded Future — sem deteriorar a rentabilidade consolidada.
O lucro líquido no 3T25 alcançou US$3,9 bilhões, um crescimento de 20% em base GAAP. O lucro por ação (EPS) diluído foi de US$4,34, representando uma alta de 23% em relação ao ano anterior. Excluindo itens não recorrentes, o EPS ajustado atingiu US$4,38, superando as estimativas do consenso de mercado. Além da sólida performance operacional, o resultado foi beneficiado pelo programa contínuo de recompra de ações, que reduziu o número de papéis em circulação. No trimestre, a companhia recomprou 5,8 milhões de ações, com desembolso de US$3,3 bilhões.
A gestão de capital segue focada no equilíbrio entre retorno ao acionista e investimentos estratégicos. Além das recompras, a Mastercard distribuiu US$687 milhões em dividendos no 3T25. A posição de caixa e equivalentes encerrou o trimestre em US$10,3 bilhões, um aumento de 22% em relação ao final de 2024, assegurando elevada flexibilidade financeira. A dívida de longo prazo permaneceu controlada, em US$19,0 bilhões, com níveis de alavancagem confortáveis e compatíveis com a forte geração de caixa operacional, que somou US$12,6 bilhões nos primeiros nove meses de 2025.
Do ponto de vista estratégico, a companhia avançou de forma relevante em novas frentes de pagamento. O Mastercard Move registrou crescimento de 35% no volume de transações, enquanto iniciativas em open banking e ativos digitais ganharam tração, incluindo testes com stablecoins para liquidação transfronteiriça. Essas iniciativas ampliam significativamente o mercado endereçável da Mastercard, ao capturar fluxos de pagamentos comerciais, governamentais e internacionais que ainda dependem de infraestruturas tradicionais e pouco eficientes.
Os principais pontos de atenção concentram-se no ambiente macroeconômico global e nas pressões regulatórias sobre taxas de intercâmbio em mercados-chave, como Estados Unidos e Europa. Embora os gastos dos consumidores permaneçam “saudáveis”, como destacou o CEO **Michael Miebach**, uma desaceleração econômica mais acentuada poderia impactar diretamente o GDV. Além disso, a crescente adoção de sistemas nacionais de pagamentos instantâneos — como o Pix no Brasil e soluções similares na Índia — reforça a necessidade de contínuos investimentos em valor agregado para preservar a relevância da companhia na cadeia global de pagamentos.
Em resumo, os resultados do 3T25 são sólidos. A Mastercard entregou crescimento de dois dígitos na maioria das linhas do demonstrativo financeiro, com destaque para a expansão de margens e para o desempenho da área de serviços. A capacidade de fazer o lucro crescer acima da receita evidencia maturidade operacional e eficiência do modelo. Para o 4T25 e o início de 2026, a expectativa é de manutenção desse ritmo, sustentada pela digitalização contínua da economia global e pela maior penetração de meios eletrônicos de pagamento em mercados emergentes da África e da Ásia.
Para o encerramento de 2025, a companhia projeta crescimento da receita líquida anual na faixa de “low-teens” em moeda constante. A manutenção de uma taxa efetiva de imposto próxima de 21% e a continuidade da recuperação das viagens internacionais devem sustentar os resultados no curto prazo. Com um balanço sólido, elevada geração de caixa e uma estratégia clara de diversificação além do cartão tradicional, a Mastercard mantém uma posição competitiva privilegiada — ainda que o valuation atual exija a preservação desse alto nível de execução para justificar os múltiplos de negociação
Conclusão do analista
A Mastercard, podemos destacar suas vantagens competitivas que estabelecem uma forte barreira de entrada para novos concorrentes. Além dos ganhos de escala e do crescimento nas receitas, a Mastercard se destaca por suas margens elevadas, custos de capital reduzidos e uma forte capacidade de gerar fluxo de caixa livre. ontudo, no momento, as suas ações estão sendo negociadas com múltiplos esticados. Desta forma, ficamos de fora das ações da Mastercard (MSCD34) por enquanto, mas manteremos a empresa no nosso radar.