A receita líquida global da Eli Lilly atingiu US$17,6 bilhões, representando um crescimento expressivo de 54% em relação aos US$11,4 bilhões registrados no 3T24. Esse desempenho foi sustentado por um volume de vendas, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, onde a demanda por terapias metabólicas continua a superar as expectativas mais otimistas do mercado financeiro.
O principal motor desse crescimento foi o portfólio de tirzepatida, comercializado como Mounjaro (para diabetes tipo 2) e Zepbound (para obesidade). No 3T25, o Mounjaro registrou vendas de US$6,5 bilhões, uma alta de 109% na comparação anual, enquanto o Zepbound contribuiu com US$3,6 bilhões, um salto de 184% frente ao ano anterior. Em conjunto, esses medicamentos superaram a marca de US$10,1 bilhões no trimestre, tornando a tirzepatida a molécula farmacêutica mais vendida globalmente no período e ultrapassando concorrentes diretos no segmento de GLP-1.
A forte expansão de receitas foi acompanhada por uma evolução relevante das margens. A margem bruta ajustada (Non-GAAP) atingiu 83,6%, um incremento de 1,4 ponto percentual em relação ao 3T24. Esse ganho de rentabilidade decorre de um mix de produtos mais favorável, com maior participação de medicamentos de nova geração, parcialmente compensado por reduções marginais de preços nos Estados Unidos, decorrentes de maiores descontos (rebates) em contratos com operadoras de saúde. A eficiência operacional e os ganhos de escala na manufatura têm sido determinantes para sustentar essas margens em um cenário de rápida expansão produtiva.
Em termos de lucratividade, a companhia reportou um lucro líquido (GAAP) de US$5,6 bilhões, uma evolução substancial frente aos US$970,3 milhões observados no mesmo período do ano anterior. O lucro por ação (EPS) ajustado foi de US$7,02, superando de forma significativa o consenso dos analistas, estimado em US$5,89. Cabe destacar que esse resultado inclui encargos de US$0,71 por ação relacionados à Pesquisa e Desenvolvimento em Processo (IPR&D) adquiridos, o que evidencia a força do desempenho operacional ao absorver esses custos e, ainda assim, superar as expectativas do mercado.
Para sustentar esse ritmo de crescimento, a Lilly intensificou os investimentos em infraestrutura produtiva. No 3T25, foram anunciados novos aportes para a construção de plantas na Virgínia e no Texas, além da expansão da unidade em Porto Rico. O objetivo estratégico é eliminar gargalos de oferta que limitaram o crescimento em trimestres anteriores. A administração projeta que a capacidade de produção de incretinas aumentará de forma relevante em 2026, permitindo a expansão do portfólio em mercados internacionais onde a penetração ainda é incipiente.
Além do sucesso nos segmentos de obesidade e diabetes, a companhia apresentou avanços consistentes em outras áreas terapêuticas de alto valor. O medicamento oncológico Verzenio registrou vendas de US$1,5 bilhão, com crescimento de 7% na comparação anual, enquanto o recém-lançado Kisunla, voltado ao tratamento da doença de Alzheimer, começou a ganhar tração em centros especializados. O pipeline de inovação segue robusto, com destaque para os resultados positivos de Fase 3 do orforglipron, um agonista de GLP-1 oral que pode representar uma mudança estrutural no tratamento da obesidade, dada a maior conveniência em relação às terapias injetáveis.
A estratégia de fusões e aquisições permanece agressiva como vetor de crescimento de longo prazo. Recentemente, a empresa anunciou a aquisição da Ventyx Biosciences por US$1,2 bilhão e concluiu a integração da Verve Therapeutics por US$1,3 bilhão. Esses movimentos visam diversificar o portfólio em direção a terapias gênicas e tratamentos orais para doenças inflamatórias, reduzindo a dependência futura de uma única classe de medicamentos e fortalecendo as franquias de imunologia e cardiometabolismo.
Um ponto de atenção para os investidores está na dinâmica de preços nos Estados Unidos. Apesar do crescimento de 45% em volume no mercado doméstico, o preço líquido realizado recuou cerca de 15%, refletindo maior pressão de pagadores e a entrada de novas dosagens no mercado. Esse cenário exige uma execução impecável em volume, eficiência logística e controle de custos para compensar a erosão de preços por unidade — um desafio recorrente para medicamentos que atingem rapidamente o status de blockbuster global.
Diante dos resultados, a companhia revisou seu guidance para 2025. A projeção de receita anual foi elevada para um intervalo entre US$63,0 bilhões e US$63,5 bilhões, enquanto a estimativa de lucro por ação ajustado passou a variar entre US$23,00 e US$23,70. A revisão reflete a confiança da administração na sustentabilidade da demanda e na capacidade de entrega da malha industrial no quarto trimestre, período que historicamente apresenta maior sazonalidade de consumo.
Para 2026, a perspectiva é de continuidade na expansão de margens e no fortalecimento da liderança tecnológica, com a companhia se posicionando como referência global em inovação farmacêutica. Os riscos regulatórios, a intensificação da concorrência no segmento de GLP-1 e o valuation esticado devem ser monitorados, mas a barreira de entrada criada pela escala operacional e industrial da Lilly permanece elevada.
Conclusão do analista
A Eli Lilly tem se destacado por um pipeline promissor, especialmente com o potencial de mercado de produtos para emagrecimento e tratamentos para Alzheimer, como tirzepatide e donanemab. Esses medicamentos têm mostrado resultados encorajadores, sugerindo um crescimento futuro interessante para a empresa. No entanto, apesar desse otimismo, o valuation atual da Eli Lilly está elevado, o que o coloca fora da margem de segurança ideal e torna a relação risco-retorno menos atraente. Portanto, recomenda-se cautela ao considerar a empresa no portfólio, aguardando uma melhor oportunidade de entrada.