A Johnson & Johnson apresentou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026, consolidando um período de transição estratégica e expansão de seu portfólio de inovação. O faturamento global da companhia atingiu US$24,1 bilhões, representando um crescimento reportado de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo sólido desempenho operacional, que registrou alta de 6,4%, evidenciando a resiliência do modelo de negócio após o spin-off da divisão de saúde do consumidor (Kenvue).
No âmbito operacional, os segmentos de Innovative Medicine (Medicina Inovadora) e MedTech demonstraram trajetórias distintas, porém complementares. O setor farmacêutico registrou um crescimento operacional de 7,4%, sustentado por medicamentos oncológicos como Darzalex e Carvykti. Já a divisão de MedTech apresentou avanço de 4,6%, beneficiada pela integração da Shockwave Medical e pela forte demanda em eletrofisiologia. Estes números reforçam a estratégia da gestão em focar em ativos de alto valor agregado e tecnologias médicas de ponta.
A análise do lucro líquido, contudo, exige uma observação técnica sobre eventos não recorrentes. O lucro líquido reportado foi de US$5,2 bilhões, o que representa uma queda de 52,4% comparado aos US$ 11,0 bilhões do primeiro trimestre de 2025. Essa retração acentuada justifica-se pelo fato de que o resultado do ano anterior foi positivamente impactado pela reversão de aproximadamente US$ 7,0 bilhões em reservas judiciais relacionadas aos litígios do talco, criando uma base de comparação atipicamente elevada.
Sob a ótica ajustada, que exclui tais efeitos voláteis, o lucro por ação (EPS) ajustado foi de US$ 2,70, uma leve redução de 2,5% em relação aos US$ 2,77 do 1T25. Apesar da queda percentual, o valor superou as expectativas do mercado, que projetava US$2,68. Os custos operacionais mantiveram-se controlados, embora os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) tenham continuado agressivos, visando sustentar a meta de US$100 bilhões em receita anual até o final de 2026.
Um ponto de atenção relevante neste trimestre foi a performance do medicamento Stelara, cujas vendas sofreram um impacto negativo de aproximadamente 61,7% devido à entrada de competidores biossimilares e mudanças no mix de pacientes. Este cenário já era antecipado pelo mercado, mas a magnitude da queda ressalta a importância do sucesso dos novos lançamentos, como o Icotyde, recentemente aprovado pelo FDA para o tratamento de psoríase em placas.
Quanto às movimentações estratégicas, a JNJ manteve sua postura ativa em fusões e aquisições (M&A). O trimestre foi marcado pelo avanço na integração da Shockwave Medical, fortalecendo a posição da empresa em intervenções cardiovasculares. Além disso, a aprovação do Tecvayli em combinação com o Darzalex Faspro para mieloma múltiplo demonstra a capacidade da companhia em maximizar o ciclo de vida de seus produtos principais através de novas indicações clínicas.
A geração de fluxo de caixa livre no período foi de aproximadamente US$1,5 bilhão, valor inferior aos US$ 3,4 bilhões registrados no 1T25. Essa variação decorre, em parte, do cronograma de pagamentos relacionados a acordos judiciais e maiores desembolsos de capital para expansão de capacidade produtiva no segmento de MedTech. A estrutura de capital permanece robusta, permitindo a manutenção da política de dividendos crescentes, tradicional característica da companhia.
Avaliamos os resultados como positivos do ponto de vista operacional e estratégico. A capacidade da empresa de superar as estimativas de receita e lucro ajustado, mesmo diante da perda de exclusividade de medicamentos importantes, demonstra uma execução ágil. A elevação do guidance para o fechamento de 2026, com vendas estimadas agora em US$100,8 bilhões, sinaliza confiança da diretoria na aceleração do crescimento nos próximos trimestres.
As perspectivas futuras para a Johnson & Johnson são otimistas, embora não isentas de riscos. O foco em oncologia, imunologia e neurociência deve mitigar a pressão dos biossimilares a médio prazo. No entanto, o mercado deve monitorar de perto os desdobramentos dos processos judiciais remanescentes, que ainda representam uma fonte de incerteza para o fluxo de caixa e para o valor intrínseco das ações.
Conclusão do analista
A Johnson & Johnson possui marca sólida com mais de um século de história, excelentes diferenciais competitivos, detentora de diversas marcas famosas e liderança na área de saúde. A companhia tem uma ótima diversificação de fontes de receitas e um histórico robusto de crescimento de dividendos. Entretanto, é importante considerar os riscos, mas a empresa é uma ótima opção para investidores de longo prazo, portanto, temos a recomendação de compra das ações da empresa.