A Walt Disney encerrou seu ano fiscal de 2025 apresentando uma trajetória de recuperação estrutural, consolidando a transição de seu modelo de negócios tradicional para a dominância do ecossistema digital. O período foi marcado pelo atingimento de metas críticas de rentabilidade no segmento de streaming, que historicamente pressionava as margens operacionais do grupo. A gestão focou na eficiência de custos e na maximização do valor de suas propriedades intelectuais, resultando em um balanço mais resiliente frente às volatilidades macroeconômicas globais.
No quarto trimestre fiscal de 2025, a receita consolidada atingiu US$22,46 bilhões, mantendo-se estável em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano fiscal (FY2025), a receita total somou US$94,42 bilhões, o que representa um crescimento de 3% sobre os US$91,36 bilhões reportados em 2024. Este avanço moderado na linha superior reflete o equilíbrio entre o crescimento robusto dos serviços direct-to-consumer (DTC) e a retração esperada nas redes de televisão linear (Linear Networks), que continuam sofrendo com a erosão da base de assinantes de TV a cabo.
O segmento de Entertainment foi o principal destaque positivo, impulsionado pela performance do streaming. O lucro operacional do DTC no 4T25 foi de US$352 milhões, uma melhora significativa frente ao resultado do ano anterior. No consolidado de 2025, o braço de streaming (Disney+, Hulu e ESPN+) registrou um lucro operacional de US$1,3 bilhão, revertendo o prejuízo bilionário de ciclos passados. A métrica de rentabilidade por usuário (ARPU) apresentou evolução, amparada por reajustes de preços e pela maior penetração dos planos com suporte de publicidade.
Em termos operacionais, o Disney+ encerrou o trimestre com 132 milhões de assinantes core, uma adição líquida de 3,8 milhões de usuários em relação ao 3T25. Quando somado à base do Hulu, o ecossistema atinge 196 milhões de assinaturas. A estratégia de integração de conteúdos em um único aplicativo e o combate ao compartilhamento de senhas foram vetores essenciais para este crescimento. Contudo, o custo de programação e produção permanece elevado, exigindo que a companhia mantenha um investimento anual em conteúdo na ordem de US$24 bilhões para sustentar o engajamento.
A divisão de Experiences, que engloba parques temáticos e cruzeiros, reportou um lucro operacional recorde de US$1,9 bilhão no 4T25, um aumento de 13% na comparação interanual. No acumulado de 2025, o lucro operacional deste segmento atingiu US$10,0 bilhões (+8% YoY). Apesar de uma leve queda de 1% na frequência de público nos parques domésticos dos EUA, o gasto per capita dos visitantes cresceu 5%, evidenciando o poder de precificação (pricing power) da marca e a aceitação de serviços premium.
No campo da lucratividade, o lucro líquido atribuível à Disney no ano fiscal de 2025 foi de US$12,4 bilhões, representando um salto expressivo de 149,5% em relação aos US$4,97 bilhões de 2024. O lucro por ação (EPS) ajustado para o 4T25 foi de US$1,11, superando as estimativas de mercado, embora tenha apresentado uma leve queda de 3% comparado ao 4T24. Para o ano completo, o EPS ajustado subiu 19%, atingindo US$5,93, refletindo a eficácia do programa de corte de custos que eliminou redundâncias operacionais em diversas divisões.
A estrutura de capital da companhia demonstra solidez, com o fluxo de caixa operacional atingindo US$18,1 bilhões no ano. A gestão anunciou um aumento de 50% nos dividendos em dinheiro, fixando-os em US$1,50 por ação para o ciclo, além de autorizar um programa de recompra de ações de US$7 bilhões para o ano fiscal de 2026. Esses movimentos sinalizam confiança na geração de caixa livre recorrente e o compromisso com o retorno ao acionista após anos de investimentos pesados na infraestrutura tecnológica do streaming.
Como pontos de atenção, destacamos o declínio contínuo das redes lineares e os impactos da transação da Star India, que reduziu o lucro operacional do segmento de mídia internacional. Além disso, os investimentos em novos navios da frota de cruzeiros (Disney Adventure e Disney Destiny) e expansões nos parques devem elevar as despesas de capital (Capex) no curto prazo. No entanto, a perspectiva futura é otimista, com o guidance oficial projetando um crescimento de dois dígitos no EPS ajustado para 2026 e uma margem operacional de 10% para o negócio de streaming até o final do próximo exercício.
Em suma, os resultados de 2025 consolidam a Disney como um caso de reestruturação bem-sucedida. A transição para o digital não é mais uma promessa, mas uma realidade lucrativa que começa a equilibrar o declínio da TV tradicional. O julgamento técnico é de que os resultados são robustos, fundamentados em uma base de ativos únicos e uma execução financeira disciplinada, o que posiciona a empresa favoravelmente para a continuidade do crescimento no próximo biênio.
Conclusão do analista
A Disney é uma empresa de entretenimento com grande diversificação de receitas, que conseguiu minimizar os efeitos da pandemia com seus diferenciais competitivos. O lançamento da plataforma de streaming Disney+ deve trazer lucros incrementais no médio prazo. A barreira para novos entrantes é grande, devido a grande diversificação de produtos e marcas consolidadas que a empresa possui. Diante dos pontos positivos e negativos, recomendamos a compra das ações da Disney.