No segundo trimestre fiscal de 2025, encerrado em 30 de junho, a Amazon apresentou desempenho operacional sólido em meio a um cenário global complexo. As vendas líquidas atingiram US$ 167,7 bilhões, um crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2024 (12% excluindo efeitos cambiais), sustentadas pelo bom desempenho no comércio doméstico e internacional — com crescimento de 11% e 16%, respectivamente, antes de ajustes por câmbio. Além disso, o segmento AWS (Amazon Web Services) continuou a expandir, reportando receita de US$ 30,9 bilhões, alta de 17,5% ano a ano.
No aspecto de lucratividade, o lucro operacional consolidado alcançou US$ 19,2 bilhões, alta de 31% frente ao segundo trimestre de 2024, com margem operacional subindo para 11,4% (ante 9,9%). A divisão Norte-Americana contribuiu com US$ 7,5 bilhões em lucro operacional, enquanto a Internacional atingiu US$ 1,5 bilhão, representando saltos significativos em eficiência. No segmento AWS, o lucro operacional foi de US$ 10,2 bilhões, acima dos US$ 9,3 bilhões do ano anterior.
Do ponto de vista logístico, a Amazon conquistou ganhos operacionais notáveis. A queda dos custos de frete, em relação ao volume de unidades enviadas — que cresceram cerca de 12% — evidenciou maior eficiência. A empresa destacou melhorias em posicionamento de estoque, maior disponibilidade de produtos e velocidades recordes de entrega para clientes Prime, fruto da expansão de automação e da rede de fulfillment.
No front publicitário, a receita atingiu US$ 15,7 bilhões, alta de 22%, sustentada pela forte demanda nas plataformas de mídia e video streaming.
A AWS, embora tenha mantido crescimento relevante, enfrentou pressão nas margens, que caíram de 39,5% para 32,9%. A redução foi atribuída a compensação baseada em ações e a maior depreciação relacionada aos investimentos em infraestrutura de IA e data centers.
Na área de tecnologia e inovação, a Amazon avançou em iniciativas de inteligência artificial, lançando ferramentas como modelos DeepFleet — usados para otimizar rotas de seus robôs —, o agente de codificação Kiro, agentes automatizados no Strands e o framework Bedrock AgentCore para operacionalizar agentes em escala com segurança. Complementarmente, a companhia expandiu Alexa+, oferecendo experiência aprimorada para milhões de usuários.
A empresa também acelerou investimentos em infraestrutura com foco em sustentabilidade — incluindo reaproveitamento de água em centros de dados — e investiu no Programa Kuiper (satélites em órbita baixa), além de promover a maior edição do Prime Day e expandir serviços de entrega em pequenas cidades e áreas rurais nos EUA.
Ainda que os resultados operacionais tenham superado expectativas, o mercado reagiu com cautela diante da orientação conservadora para o próximo trimestre. A empresa projeta vendas entre US$ 174 bilhões e US$ 179,5 bilhões, com lucro operacional estimado entre US$ 15,5 bilhões e US$ 20,5 bilhões — faixa considerada ampla e inferior ao consenso de Wall Street, gerando queda nas ações no pós-mercado.
Em resumo, o trimestre foi marcado por execução operacional robusta, com eficiência logística, avanço em IA, ampliação de capilaridade dos serviços e crescimento consistente em retail, publicidade e cloud — mesmo diante de desafios como margens sob pressão e incertezas comerciais. Fica claro que a empresa segue bem posicionada, mas com cautela na projeção de resultados futuros.
Conclusão do analista
A Amazon tem crescido continuamente com foco no encantamento do cliente, utilizando tecnologia de ponta. Em termos de fundamentos, a Amazon é uma empresa de qualidade, com vantagens competitivas importantes e uma oferta de serviços diferenciados no mercado, marcada por uma entrega rápida e o uso de tecnologia de ponta, não só nos EUA, mas em diversos lugares do mundo. Contudo, no momento os preços da companhia não oferecem uma margem de segurança adequada para o investidor, portanto, ficamos de fora das ações da companhia no momento.