A Adobe apresentou um desempenho sólido no quarto trimestre do ano fiscal de 2025, consolidando sua estratégia de integração de Inteligência Artificial (IA) generativa em todo o seu ecossistema. A companhia reportou uma receita recorde de US$6,19 bilhões no trimestre, representando um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado superou as estimativas de mercado, impulsionado principalmente pela forte demanda por ferramentas assistidas pelo modelo Firefly e pela expansão das soluções em nuvem.
No âmbito operacional, os indicadores de faturamento recorrente continuam sendo o pilar central do modelo de negócios. O segmento de Mídia Digital atingiu uma receita de US$4,62 bilhões, com alta de 11% na comparação anual. Um destaque relevante foi o crescimento da base de usuários móveis, que avançou 35%, superando a marca de 70 milhões de usuários ativos mensais. Além disso, a métrica de Receita Recorrente Anual (ARR) do segmento de Mídia Digital encerrou o período em US$19,20 bilhões, refletindo uma retenção saudável e upselling de planos.
Financeiramente, a Adobe demonstrou eficiência na conversão de receita em lucro. O lucro líquido GAAP foi de US$1,86 bilhão, enquanto o lucro por ação (EPS) não-GAAP atingiu US$5,50, superando a previsão de US$5,40. A geração de caixa operacional no trimestre foi robusta, contribuindo para um total anual superior a US$10 bilhões. Tais números reiteram a capacidade da empresa em financiar suas inovações tecnológicas sem comprometer a saúde de seu balanço patrimonial.
Em termos de investimentos e movimentos inorgânicos, o evento mais significativo foi o anúncio da intenção de adquirir a Semrush Holdings por aproximadamente US$ 1,9 bilhão. Esta transação, prevista para ser concluída no primeiro semestre do ano fiscal de 2026, visa fortalecer a presença da Adobe em visibilidade de marca e marketing digital, integrando capacidades de otimização de mecanismos de busca (SEO) e motores de busca por IA (GEO) ao portfólio da Experience Cloud.
A comparação interanual revela um crescimento consistente, com a receita total saltando de US$ 21,51 bilhões em 2024 para US$ 23,77 bilhões no fechamento de 2025, uma variação positiva de 11%. No confronto trimestral, a receita do quarto trimestre de 2025 foi 3,44% superior à do terceiro trimestre do mesmo ano. Esses dados indicam que, apesar da maturidade de seus principais produtos, a Adobe consegue manter taxas de crescimento de dois dígitos através da inovação incremental.
Os resultados podem ser avaliados como positivos, especialmente pela capacidade da empresa em monetizar a IA de forma direta via assinaturas. A gestão demonstrou competência ao elevar os guidances ao longo do ano e entregar números acima do consenso. Para o futuro, a perspectiva permanece otimista, com a empresa projetando a continuidade do crescimento de dois dígitos no ARR para 2026, sustentada pela adoção corporativa do Acrobat AI Assistant e do Adobe Express.
Entretanto, pontos de atenção devem ser monitorados. Embora os números tenham sido recordes, as ações apresentaram volatilidade após a divulgação, refletindo o alto nível de exigência dos investidores em relação às projeções de crescimento para os próximos anos. O mercado mantém cautela sobre a rapidez com que as ferramentas de IA podem canibalizar softwares tradicionais ou se a concorrência de startups ágeis de IA generativa poderá pressionar as margens de longo prazo.
Outro fator relevante é a estratégia de alocação de capital. Durante o ano fiscal de 2025, a Adobe recomprou cerca de 30,8 milhões de ações, devolvendo valor ao acionista em um cenário onde as taxas de juros americanas ainda influenciam o valuation de empresas de tecnologia. O gerenciamento disciplinado de custos permitiu que a margem operacional não-GAAP se mantivesse em patamares elevados, próximos a 46%, mesmo com o aumento das despesas em pesquisa e desenvolvimento para IA.
Em suma, a Adobe reafirma sua liderança no setor de softwares criativos e de experiência digital. A transição para um modelo de negócios totalmente focado em copilots de criação parece estar rendendo frutos financeiros tangíveis. O sucesso da integração da Semrush e a evolução da receita proveniente de novos usuários de IA serão os principais catalisadores para observar nos próximos trimestres.
Conclusão do analista
A Adobe tem um modelo de negócios excelente, baseado em produtos únicos e um modelo de recorrência de assinaturas que aumenta o Lifetime Value do cliente com a companhia. A empresa possui fundamentos de qualidade e potencial para crescimento a longo prazo, o que se reflete em resultados expressivos, com crescimento significativo nas vendas e lucros nos últimos dez anos. No entanto, é importante considerar que a empresa pode sofrer impactos em caso de desaceleração econômica. Avaliando os pontos positivos e negativos, recomendamos a compra das ações da Adobe (ADBE34).