O Crown Castle vivenciou um segundo trimestre de 2026 marcado pela conclusão de sua mais profunda reestruturação societária e operacional recente. A receita imobiliária de locação de torres (site rental revenues) das operações continuadas somou US$ 967 milhões no trimestre, apresentando uma contração de 4,2% frente ao montante de US$ 1,01 bilhão registrado no segundo trimestre de 2025. Essa retração refletiu o impacto contratual negativo da rescisão definitiva do acordo mestre de locação com a DISH Wireless e o encerramento do processo de consolidação de rede resultante da fusão entre T-Mobile e Sprint, efeitos parcialmente compensados por reajustes contratuais regulares e novas instalações de equipamentos de telecomunicações.
No indicador de geração de caixa operacional recorrente, o Adjusted Funds From Operations (AFFO) das operações continuadas totalizou US$ 488 milhões no período, registrando um aumento de 9,9% quando confrontado com os US$ 444 milhões obtidos no segundo trimestre de 2025. Em base por ação diluída, o AFFO situou-se em US$ 1,13, comparado a US$ 1,03 reportado em igual trimestre do ano anterior, indicando uma expansão de 9,7%. O EBITDA ajustado das operações continuadas alcançou US$ 675 milhões (frente a US$ 705 milhões no 2T25), beneficiando-se da redução disciplinada de custos administrativos e despesas gerais que amorteceram a perda pontual de faturamento bruto de locação.
No campo da dinâmica operacional de contratos, o crescimento orgânico de faturamento de locação (organic contribution to site rental billings) atingiu 3,4% no período ao se expurgarem os efeitos não recorrentes das rescisões da DISH e da Sprint. O portfólio remanescente de mais de 40 mil torres de telecomunicações distribuídas pelos Estados Unidos manteve estabilidade contratual, ancorado nas necessidades de densificação de sinal das principais operadoras móveis nacionais (Tier 1), que continuam a demandar capacidade de transmissão para sustentar o tráfego crescente de dados móveis no país.
A grande transformação estrutural do período deu-se no encerramento da venda integral do negócio de fibra óptica (Fiber Business), concretizada em 1º de maio de 2026. A transação envolveu a alienação da divisão de pequenas células (small cells) para o consórcio EQT Active Core Infrastructure e da infraestrutura de fibra corporativa para a Zayo Group Holdings, rendendo um ingresso líquido em caixa de US$ 8,4 bilhões (frente ao valor bruto contratual de US$ 8,5 bilhões). Esse desinvestimento estratégico redefiniu o Crown Castle como um REIT puramente focado em macro torres de comunicação, simplificando sua operação e eliminando linhas intensivas em despesas de capital de retorno mais incerto.
Com a entrada dos recursos extraordinários provenientes da alienação do segmento de fibra, a estrutura de endividamento da companhia experimentou um processo imediato de desalavancagem. O REIT direcionou a maior parte do caixa auferido para a liquidação e resgate antecipado de dívidas bancárias e linhas de crédito rotativo de curto prazo, desanuviando o custo financeiro líquido projetado para os próximos exercícios. As despesas de capital das operações continuadas somaram modestos US$ 59 milhões no segundo trimestre (sendo US$ 52 milhões discricionários e US$ 7 milhões de sustentação), enquanto a distribuição de dividendos ordinários declarada foi de US$ 1,0625 por ação (US$ 460 milhões agregados), estável em relação ao ano anterior.
Conclusão do Analista
A atuação do Crown Castle tem sido cada vez mais intensa no ramo de fibra, com grandes investimentos no segmento, o que trouxe sinergia com as atividades relacionadas às torres. Os ativos small cells trouxeram maior escala e alcance de dados, contribuindo para o crescimento importante de receitas nos últimos anos. Um ponto importante a ser avaliado é que uma parcela substancial das receitas do CCI é derivada de um número pequeno de inquilinos, mais precisamente três grandes empresas: T-Mobile, AT&T e Verizon Wireless. Apesar dos bons fundamentos, o preço atual do CCI não oferece uma relação entre risco e retorno satisfatória, portanto, optamos por ficar de fora das ações do REIT no momento.