O VGIP11 está percorrendo um caminho semelhante ao de seu irmão, o VGIR11, o que não é positivo. Embora sua situação ainda seja muito melhor, enxergamos uma clara piora no portfólio.
O principal problema identificado é a concentração da carteira. O CRI Mabu 402S representa 9,12% do patrimônio líquido, percentual muito próximo do limite de 10%, enquanto a exposição a dívidas ligadas às obras do Campus Matarazzo corresponde a 10,6%. Para efeito de comparação, a Helbor representa mais de 20% da carteira do VGIR11, fato que foi determinante para nossa recomendação negativa.
Portanto, o cenário do VGIP11 não é crítico, mas já exige atenção. A diversificação é a principal forma de reduzir o risco de um fundo de recebíveis, pois, ao investir em dívidas, o fundo assume o risco de inadimplência. Por isso, é essencial minimizar os impactos causados por eventuais calotes.
O fundo sofreu uma desvalorização de quase 6% nos últimos 12 meses, enquanto o IFIX apresentou valorização de 11%. Acreditamos que o principal fator que justifica essa discrepância tenha sido a queda dos rendimentos do fundo, provocada pela própria estratégia da gestora.
Em meados de 2025, a inflação começou a arrefecer, o que naturalmente reduziu os dividendos pagos pelos fundos de papel concentrados em dívidas indexadas ao IPCA, como é o caso do VGIP11. Para contornar esse cenário, seus concorrentes constituíram reservas de resultados, mas a Valora optou por distribuir todo o estoque acumulado de uma única vez.
Por isso, em junho de 2025, o fundo pagou R$1,98 por cota. Dois meses depois, o rendimento caiu para R$0,76 por cota e chegou a R$0,65 por cota ainda em 2025. A retomada da inflação após o início do conflito entre Irã e Estados Unidos possibilitou não apenas o aumento dos dividendos, mas também a constituição de reservas, indicando que a gestão não pretende repetir os acontecimentos daquele ano.
Nos últimos três meses, o VGIP11 pagou mais de R$1 por cota, valor que, com base em sua última cotação, equivale a um rendimento superior a 1,30% ao mês. No entanto, o IPCA de junho de 2026 foi de 0,16%. Como os fundos de papel costumam repassar a inflação com aproximadamente dois meses de defasagem, é esperado um dividendo menor em setembro. A prévia do IPCA de julho também ficou abaixo do esperado, o que tende a pressionar a renda no curto prazo.
Fazemos questão de destacar esse ponto na análise para tranquilizar os investidores, pois, independentemente do nível da inflação, o fundo de recebíveis continuará oferecendo proteção. Um dividendo menor pode incomodar, mas o mais importante é que o retorno tende a permanecer acima da inflação, já que o fundo investe em ativos remunerados por IPCA mais juros.
Considerando uma inflação de 4,5% nos próximos 12 meses, estimamos que o fundo seja capaz de pagar, em média, R$0,90 por cota durante o período. Com base na última cotação, isso equivale a um dividend yield mensal de 1,17% e anual de 14,11%. O VGIP11 continua apresentando uma tese atrativa, embora em menor grau do que anteriormente. A visão positiva agora possui um ponto de atenção que exige monitoramento.
Conclusão do Analista
O VGIP11 é um fundo de recebíveis imobiliários que vem crescendo rapidamente, com patrimônio líquido de mais de R$1 bilhão e mais de 80 mil investidores. Ele aproveitou a fase positiva do ciclo imobiliário, com rendimentos atrativos. Recomendamos a compra do VGIP11, pois acreditamos que é uma boa opção dentro do segmento de recebíveis.