O TRXY11 nasceu em outubro de 2024 e já realizou três emissões de cotas, alcançando um patrimônio aproximado de R$ 300 milhões. A última foi realizada em 2026, com encerramento no mês de março e captação de R$ 181 milhões.
Por ser um hedge fund, o fundo tem liberdade para alocar nas mais diversas classes de investimento do mercado imobiliário. No início de 2026, a carteira do fundo apresentava maior diversificação entre tipos de ativos, com 40% em CRIs, 40% em FIIs, 4,1% em permutas, 2,4% em ações e 14,8% em caixa. Após a última captação, houve um aumento relevante na alocação em FIIs, fazendo essa classe alcançar 74% do portfólio.
A carteira de FIIs do TRXY11 está muito concentrada nos segmentos logístico e de FOFs. O investimento em galpões tem um grande viés de renda, pois o setor atravessa um excelente momento, com vacância nas mínimas históricas e aumento dos aluguéis.
A parcela em FOFs levantou críticas do mercado, pois gera muitos custos sobrepostos. Entretanto, em conversa com a gestão, foi destacado que os fundos de fundos escolhidos não são líquidos e se configuram como oportunidades bem específicas de mercado. Os dois principais têm prazo determinado e estimativa de retorno entre 20% e 30% ao ano.
A TRX indicou que pretende aumentar a posição em CRIs nos próximos dois a três meses, a fim de ampliar a geração recorrente de renda e melhorar a diversificação do portfólio. Como as dívidas em carteira são majoritariamente indexadas ao IPCA, e a tendência é que as novas também sejam, a alta recente da inflação gera um impacto positivo para o fundo.
Sobre os rendimentos do fundo, considerando o preço atual na casa de R$ 8,33, seu yield mensal é de 1,32%. O guidance entregue é de R$ 0,10 por cota a R$ 0,13 por cota, mas é preciso destacar que, para a manutenção desse patamar, é necessário girar a carteira.
Apenas nos cinco primeiros meses de 2026, o TRXY11 gerou R$ 4,7 milhões de receita fruto de ganho de capital. Isso equivale a R$ 0,13 por cota, portanto, a um dividendo completo gerado por fontes não recorrentes. Entendemos que essa será uma prática do fundo, o que, em nossa visão, eleva o risco da estratégia, embora, no curto prazo, ela esteja sendo muito bem-sucedida.
O investimento em permutas ainda não está gerando retornos e, inclusive, ainda demanda mais aportes do fundo. O principal projeto investido tinha previsão de lançamento para o segundo trimestre de 2026 e de entrega apenas em 2029. Essa é mais uma parcela da estratégia que contribui para maior imprevisibilidade na receita do fundo, demandando mais cuidado da gestão na administração de seu caixa, a fim de respeitar o guidance.
O preço do TRXY11, embora pareça pouco descontado, já que seu P/VP é de 0,95, ainda não incorpora o potencial de valorização do valor patrimonial. Tanto os fundos imobiliários em carteira quanto as permutas têm potencial de remarcação positiva, principalmente com a queda da taxa de juros.
Em resumo, acreditamos que o fundo está levemente descontado e, no curto prazo, apresenta boa expectativa de geração de renda. Entretanto, o yield acima da média é fruto de uma estratégia mais arrojada e que ainda precisa de maior validação.
Conclusão do Analista
Até aqui, fica claro que o grande foco no estudo deste fundo é sua gestão, até porque o portfólio ainda é pequeno, novo e os documentos atuais estão defasados. Confiamos na capacidade da TRX de gerar valor, mas, dentro do TRXY11, enxergamos muito risco atrelado a esses ganhos.
Com base em tudo o que vimos, nossa recomendação é de manutenção do fundo. Não há conforto para recomendar a compra atualmente, mesmo com a alta expectativa de retorno, pois precisamos de um histórico maior e de mais transparência nos documentos.
A recomendação do TRXY11 é de aguarde.