Os fundamentos podem sustentar uma tese até certo momento, mas chega uma hora em que os números falam mais alto. O PVBI11 tem o melhor portfólio de lajes corporativas da bolsa, já que 100% de seus imóveis estão em regiões premium de São Paulo. Além disso, 80% da ABL do fundo é composta por ativos com padrão construtivo AAA.
Mesmo assim, o fundo vem encontrando enormes dificuldades para entregar bons resultados desde o final de 2023. Em abril de 2024, a vacância do fundo atingiu dois dígitos e não caiu desse patamar em nenhum momento. Atualmente, 18% da área está vaga, mas a previsão é que esse percentual atinja 24,9% a partir de julho, por conta de algumas devoluções de espaço já acordadas.
Dessa forma, os dividendos do fundo seguem pressionados para baixo, lembrando que saíram de R$0,65 por cota para R$0,40 por cota. Com base no preço atual do fundo, isso representa um yield mensal de 0,55%. Vale destacar que a cotação do fundo já caiu bastante e, mesmo assim, o dividendo segue pouco atrativo. Só em 2026, a cotação do PVBI11 caiu 10%.
É preciso esclarecer bem o que achamos do fundo para que não haja nenhum tipo de confusão. Não vemos chance de o fundo se tornar um ativo que destrói valor permanentemente, como nos casos de XPCM11, HCTR11, DEVA11, entre outros. Isso, porém, não significa que ele seja um bom investimento no momento.
A recuperação do PVBI11 é lógica. Portanto, caso ela não aconteça, teremos uma grande surpresa. Porém, o tempo necessário para que ela seja alcançada, assim como o valor recebido ao longo desse período, é o que está sendo avaliado.
Receber apenas 0,55% ao mês, enquanto boa parte dos fundos entrega de 0,70% para cima, não compensa. Mesmo considerando a valorização esperada para o fundo, já que seu portfólio vale, no mínimo, R$92 por cota, a conta ainda não fecha.
O preço atual de R$72 só é justo em caso de dividendo de R$0,49 por cota, enquanto o preço de R$92 só faria sentido em um cenário de renda de R$0,56 por cota. Como ambos parecem bem distantes, não nos resta outra opção senão reavaliar a recomendação do fundo.
A situação do fundo se tornou ainda pior com a maior lentidão no ritmo de queda da Selic. Como o aluguel médio do portfólio é superior a R$200 por m², a melhora da economia é crucial para o apetite das empresas em gastar mais com aluguel.
Em resumo, os fundamentos seguem presentes, mas o retorno esperado para os próximos meses não é atrativo.
Conclusão do Analista
É justamente a disputa entre renda e valor que torna desafiadora a recomendação do PVBI11. O investidor está correto ao exigir dividendos mais elevados; contudo, não podemos ignorar o valor do portfólio construído pelo fundo.
De fato, para quem busca aumentar o rendimento mensal da carteira, o PVBI11 não se apresenta como a melhor alternativa. No entanto, para o investidor interessado em ativos com foco na valorização patrimonial, o fundo representa uma excelente oportunidade.
Diante da expectativa de recuperação dos resultados, não há outra decisão senão a manutenção da recomendação de compra.