A AF Invest, gestora do AFHI11, é o melhor exemplo de alinhamento de interesses com os cotistas no mercado de FIIs. Desde sua criação, em 2021, foram realizadas sete emissões, todas respeitando o valor patrimonial do fundo e com custo zero para o cotista.
Outro exemplo de preocupação com seus investidores foi a renúncia da taxa de performance e a desistência do uso de FIIs na carteira. Muitos FIIs de CRI estão sendo criticados por alocar capital em outros fundos, pois isso levanta a suspeita de conflito de interesses ao tentar angariar moral com gestoras amigas. Atualmente, o AFHI11 tem uma carteira dividida apenas entre CRIs e caixa, como deve ser um fundo de recebíveis.
Em 2026, o cenário é muito favorável para a compra de CRIs, e a AF Invest tem aproveitado essa oportunidade. A gestão está adquirindo CRIs indexados ao IPCA, de longo prazo, com taxas altíssimas, e CRIs indexados ao CDI, de curto prazo, para usufruir do alto patamar da taxa Selic.
Atualmente, 69% da carteira do fundo está indexada ao IPCA e 29,51% ao CDI, o que favorece a estabilidade dos rendimentos do fundo. Além disso, é prática do time constituir reserva para compensar meses de receita menor. O resultado acumulado do fundo é de R$ 0,30 por cota, e a inflação passada acumulada é de R$ 0,25 por cota.
O começo de 2026 foi marcado por uma expectativa de queda da inflação, mas ela foi interrompida pelo início da guerra entre Irã e EUA, que gerou aumento no preço do petróleo e, consequentemente, do IPCA. Os FIIs de CRI recompõem a inflação com defasagem de dois meses. Portanto, a alta do IPCA de 0,88% em março e de 0,67% em abril ainda deve gerar fortes rendimentos para o fundo.
Uma preocupação que devemos ter com os fundos de papel nesse cenário é o aumento do risco de crédito. A Selic elevada aumenta os juros pagos pelas empresas e, com isso, a chance de elas não honrarem suas obrigações. A aceleração do IPCA é uma nova preocupação, pois até as empresas que conseguiram fugir de dívidas atreladas à taxa de juros estão sendo afetadas.
O AFHI11 tem uma política de investir parte do capital em papéis conservadores e o restante em ativos mais arrojados. Em abril de 2025, por exemplo, 40% do PL do fundo estava investido em ativos classificados como high yield, ou seja, de risco acima da média. Em abril de 2026, esse percentual caiu para 26%, mostrando como a gestão foi inteligente ao reduzir o risco da carteira em um ambiente econômico mais desafiador.
Em resumo, o momento do AFHI11 é muito bom, principalmente pela enorme competência de sua gestora. Investir em um FII é confiar seu dinheiro a uma equipe, e o time da AF Invest não dá motivos para duvidarmos de sua capacidade.
O mercado enxerga toda essa qualidade do fundo, por isso ele não é negociado com desconto, como ocorre com seus pares. Entretanto, comprar um ativo dessa qualidade a um P/VP próximo de 1 ainda é um bom negócio, considerando que o dividendo se mantém em 1% ao mês.
Conclusão do Analista
O AFHI11 é um fundo de papel novo com uma proposta interessante, que mescla dívidas seguras e arriscadas. A gestão da AF Invest, embora pouco conhecida, tem sido positiva.
No último ano o fundo foi capaz de melhorar a diversificação de sua carteira, além de aumentar sua rentabilidade.
Por isso, temos recomendação de compra para o fundo.