Os \_hedge funds\_ são vistos como a evolução dos fundos imobiliários, sendo considerados por muitos o próximo passo após os fundos de fundos (FOFs). Sua estrutura permite investir em diversos ativos do setor, como ações, imóveis, CRIs, FIPs e outros FIIs.
O grande diferencial dos \_hedge funds\_ é a liberdade de alocação, o que permite aos gestores explorar diferentes fases do ciclo imobiliário. No entanto, esse potencial de retorno elevado também implica em maior risco e demanda uma gestão ativa eficiente.
Apesar do conceito ser interessante, no Simpla ainda não estamos convencidos de que os \_hedge funds\_ devam compor a carteira dos investidores. O que existe atualmente no mercado está aquém do ideal e carece de produtos mais sólidos.
A média de taxa de administração dos \_hedge funds\_ é de 1,11% ao ano, superior aos 0,97% dos FIIs de CRI e aos 0,80% dos FOFs. Isso coloca essa classe em desvantagem inicial na busca por maior rentabilidade para o investidor.
Outro ponto de crítica é que, apesar da liberdade de alocação, cerca de 80% do patrimônio dos \_hedge funds\_ está concentrado em CRIs e FIIs. Isso nos leva a preferir produtos dedicados a essas classes, com mais foco e transparência.
O RVBI11 tem um regulamento semelhante ao de um \_hedge fund\_, mas atua como um FOF. Com 93% da carteira em FIIs, ele pode ser analisado como tal. Destacam-se dez posições principais, divididas entre fundos líquidos e \_private placements\_.
Com a incorporação do HGFF11 e do BPFF11, o RVBI11 passará por grandes mudanças. A concentração em \_private placements\_ cairá de 32% para 18%, promovendo maior diversificação e redução de risco na carteira.
Essa diversificação é positiva. A expectativa de queda dos juros deve beneficiar os fundos de tijolo, que compõem a maior parte da nova carteira. Além disso, o desconto atual no preço da cota torna o fundo mais atrativo.
O RVBI11 não seria recomendado em sua estrutura antiga. Após a incorporação, ganhou qualidade e fundamentos. Ainda há cautela quanto ao seu regulamento amplo, mas o desempenho recente e o \_dividend yield\_ compensam parte do risco.
Atualmente, o fundo apresenta um \_guidance\_ de R$0,70 por cota para 2025 e um \_yield\_ estimado de 1,15% ao mês. Apesar de operar no limite de seus resultados, a perspectiva de lucros pontuais pós-incorporação sustenta nossa recomendação de compra.
Conclusão do Analista
O RVBI11 é, sem dúvidas, mais arriscado que o HGFF11. Por outro lado, esse risco é compensado por um dividend yield mais elevado. Além disso, o potencial de melhoria no rendimento após a incorporação é um fator relevante a ser considerado em nossa decisão.
Trata-se de um FOF com nível de risco acima do que costumamos indicar, mas com excelente expectativa de geração de retorno no curto e médio prazo.