Após a incorporação do HGFF11 e do BPFF11, o PSEC11 ficou com um excesso de ativos em carteira, muitos deles com pouquíssima expressividade. Dessa forma, a gestão assumiu o compromisso de reduzir a quantidade de FIIs de mais de 100 para algo em torno de 50. Atualmente, são 79 fundos imobiliários no portfólio do PSEC11; portanto, esse processo continua.
No momento em que escrevemos este relatório, em maio de 2026, já era esperado um cenário mais animador para o Brasil, mas a guerra entre EUA e Irã alterou todas as expectativas. A inflação, que caminhava para valores abaixo de 4%, voltou a ter estimativas próximas de 5%. Esse novo ambiente trouxe enorme pessimismo em relação ao ritmo de corte da taxa de juros e, consequentemente, à recuperação mais relevante dos ativos de renda variável.
A Pátria entende que essa mudança de cenário não pode atrasar a reciclagem de seu portfólio; por isso, segue realizando a venda de FIIs. Nesse caso, o impacto do maior pessimismo macroeconômico foi a realização de operações com prejuízo. Várias das vendas feitas pelo PSEC11 geraram prejuízos que reduziram os dividendos.
Em 2026, o dividendo mensal do fundo caiu de R$0,65/cota para R$0,55/cota, o que gerou grande repercussão no mercado. Até maio, a cotação do fundo já havia perdido 10% de valor. Diante disso, a Pátria resolveu recalcular a rota do PSEC11, mudando o destino do fundo.
No cenário otimista do início do ano, o fundo seria capaz de realizar lucro com a reciclagem do portfólio e comprar outros FIIs com o objetivo de surfar o bom momento da renda variável. Agora, com o ritmo lento de cortes da Selic, as novas alocações estão sendo feitas em CRIs.
Os CRIs são ativos de renda fixa que tendem a gerar muitos rendimentos no curto prazo. Em novembro de 2025, apenas 4% do PL do fundo estava investido em CRIs; já em abril de 2026, esse percentual subiu para 21%. Se somarmos a exposição em FIIs de CRI, mais de 40% do PSEC11 está alocado em dívidas.
O resultado dessa nova estratégia é evidente, já que a receita do fundo voltou a crescer. Em abril, o fundo gerou R$0,69/cota de lucro, mas pagou apenas R$0,55/cota; portanto, reforçou sua reserva. Para maio, a expectativa de resultado é ainda melhor, já que a inflação subiu.
A gestora definiu como objetivo alcançar uma exposição entre 40% e 50% em CRIs. Isso muda completamente a análise do fundo, mas não surpreende, já que um hedge fund tem a prerrogativa de alocar nos ativos que o gestor entende serem os mais adequados para surfar o ciclo econômico. Ao investir em um hedge fund, o cotista dá à gestão essa liberdade de ser mais ativa na busca pela geração de retorno.
Entendemos perfeitamente os motivos que levaram a Pátria a adotar essa correção de rumo, já que quedas nos rendimentos arranham a imagem das instituições. Para o segundo semestre de 2026, é muito provável que haja um aumento do rendimento mensal do fundo, justamente pelo potencial de geração de renda dos CRIs.
Em compensação, o potencial de valorização do PSEC11 foi reduzido, já que, anteriormente, o VP ótimo do fundo era de R$89 e, agora, é de R$82. Em resumo, ao alocar em CRIs, abre-se mão de valorização em nome de maior rendimento. Essa é uma troca de retorno de longo prazo por retorno de curto prazo.
A foto do PSEC11 é bem diferente da que o fez ser recomendado; mesmo assim, não julgamos necessário alterar nossa tese. Entretanto, repensar sua função na carteira e suas perspectivas é algo certo.
Conclusão do Analista
A queda do rendimento foi marcante para o fundo e motivou a gestão a buscar formas de aumentar a renda no curto prazo. Os CRIs foram os produtos escolhidos para essa função, o que traz uma nova camada de risco para o PSEC11 e muda sua análise.
A estimativa de preço justo do fundo diminuiu, mas esperamos um aumento do dividendo já no segundo semestre de 2026. Em suma, teremos um aumento do retorno de curto prazo em troca do ganho relevante com valorização que prevíamos.
Não estamos satisfeitos com a nova fase do fundo, mas ela não altera a recomendação. Portanto, a recomendação segue sendo de compra para o PSEC11.