A paciência é uma qualidade importantíssima para o investidor, tanto para esperar que suas teses amadureçam quanto para aguardar oportunidades em bons produtos. O JURO11, em termos de fundamentos, sempre nos agradou, porém o mercado de debêntures incentivadas, em 2025, vivia um momento de euforia que nos gerava grande expectativa de volatilidade.
Acertamos na análise, já que o início de 2026 foi marcado por uma forte queda nos resultados dos fundos incentivados, sejam eles abertos ou listados. De fevereiro a abril, foi difícil encontrar um fundo de debêntures incentivadas que vencesse o CDI, sendo que a média de retornos girou em torno de 50% do CDI.
Assim como os títulos públicos indexados ao IPCA, uma debênture incentivada garante o retorno contratual se levada até o vencimento, salvo em caso de calote. Contudo, durante sua existência, a marcação a mercado está presente, o que traz volatilidade de retorno no curto prazo.
É preciso destacar que a marcação dos papéis acontece por conta de duas variáveis: o _spread_ em relação aos títulos públicos e a taxa oferecida pelos títulos IPCA+ do Tesouro. Para exemplificar, se a taxa dos títulos públicos sobe, há uma tendência de desvalorização dos papéis.
O _spread_ é a diferença entre a taxa da debênture e a do título público de prazo semelhante, ou seja, se um papel é ofertado por IPCA + 8% a.a. e o Tesouro Inflação por IPCA + 7%, temos um _spread_ de 1%. Se o _spread_ “abre”, ou seja, aumenta, há uma desvalorização do título.
Os anos de 2024 e 2025 foram muito positivos para a classe, pois o _spread_ caiu, o que trouxe grande valorização e sustentou retornos muito acima do CDI. Justamente por esse movimento, esperávamos uma abertura em 2026, o que se confirmou.
O cenário atual é de uma pressão enorme para os resultados dos fundos de infra, pois, mesmo após a abertura do _spread_, ainda há espaço para mais. Soma-se a esse fato o aumento da taxa dos títulos públicos com a continuidade da guerra.
O JURO11 já sofre os impactos desse ambiente, pois foi forçado a reduzir seu rendimento de R$1/cota para R$0,75/cota. O fundo tem uma regra de apenas distribuir dividendos caso seu valor patrimonial seja superior a R$100, algo que não é garantia nos próximos meses.
Considerando a marcação, o VP do JURO11 saiu de R$102 para R$100,10, uma folga de apenas R$0,10. Ela é insuficiente para a manutenção da renda em R$1/cota. Não é absurdo pensar que o fundo pode ficar alguns meses sem geração de renda, lembrando que um cenário parecido foi visto em 2023.
Após a redução do dividendo, a cotação do fundo no mercado cedeu e alcançou valores próximos a R$98. Em nossa visão, ainda há espaço para mais quedas, principalmente em caso de não pagamento de dividendos.
Mesmo assim, pela qualidade do fundo, podemos iniciar os aportes gradualmente. A qualidade da gestão da Sparta, a pulverização em mais de 150 debêntures e o retorno esperado acima do IMA-B 5 são pontos positivos que sustentam a inclusão na carteira.
Reforçamos que a situação tem tudo para piorar, mas, como não temos pretensão de acertar o exato dia de recuperação, já podemos começar pequenos aportes.
Conclusão do Analista
O JURO11 é a prova clara de que é preciso pagar o preço certo por qualidade. Mesmo enxergando fundamentos em um produto, não podemos comprá-lo a qualquer custo. A recomendação de não comprar o fundo em 2025 foi ainda mais difícil considerando a euforia com os excelentes resultados entregues nos meses anteriores.
No momento, a perspectiva para o fundo é mais desanimadora, pois, além da abertura dos spreads, os juros futuros também aumentaram. Pelo lado microeconômico, ainda há espaço para mais aumento dos spreads e, pelo lado macroeconômico, a guerra segue pressionando os juros para cima.
Como mencionado anteriormente, essa combinação de desafios já reduziu os dividendos e tem potencial de zerá-los. Se esse cenário se confirmar, devemos ver ainda mais desvalorização da cota, que, só em 2026, já caiu 4,33%.
Se tivéssemos que apostar, diríamos que o pior ainda está por vir, mas isso não significa que devemos aguardá-lo. Por mais que o retorno de curto prazo esteja extremamente pressionado, o preço atual do fundo já é levemente atrativo.
Quanto mais descontado em relação ao valor de R$100 o JURO11 estiver, melhor será a aquisição. Isso só reforça que não estamos diante da melhor oportunidade da década, mas o fundo já merece nossa atenção.
Com base em tudo que vimos, vamos mudar a recomendação do JURO11 para compra, porém reforçando a recomendação de aportes espaçados, pois, no curto prazo, quedas no preço são mais prováveis do que valorizações.