O IRIM11 deixou oficialmente de ser um fundo de pouca relevância para se tornar um dos grandes da indústria. Esse era um dos principais objetivos da Iridium, gestora do fundo, ao propor a incorporação do IRDM11. Ao atingir R$2,9 bilhões de patrimônio líquido, o IRIM11 se consolidou como o quinto maior FII de papel da bolsa.
Do ponto de vista operacional, ainda é cedo para observar grandes mudanças na estratégia. O IRIM11 possui um regulamento mais permissivo, que permite alocações em SPEs, ações, debêntures, imóveis, entre outros ativos. Atualmente, 80% do capital está alocado em CRIs e 20% em FIIs; portanto, podemos afirmar que, na prática, o fundo é apenas um IRDM11 com novo nome.
Entretanto, o grande benefício da incorporação foi a possibilidade de eliminar o prejuízo contábil que o IRDM11 acumulava em sua carteira de FIIs. Um dos principais erros cometidos no antigo fundo da Iridium foi manter, por tempo excessivo, posições em ativos como HCTR11, DEVA11, VSLH11, entre outros. Os prejuízos expressivos com esses fundos, caso fossem realizados, levariam o dividendo do fundo a zero por muitos meses.
Com a incorporação, os prejuízos da carteira do IRDM11 não foram transferidos para o IRIM11, o que possibilita à nova estrutura reciclar a carteira sem comprometer significativamente os rendimentos. Finalmente, será possível observar o fundo se desfazendo de ativos sem perspectiva de recuperação e realocando seu capital em produtos com potencial real de retorno para os cotistas.
No relatório mais recente do IRIM11, a gestão já informa ter vendido parte das posições em HCTR11, DEVA11 e VSLH11. Houve um pequeno prejuízo de R$0,03 por cota na operação, mas nada comparável ao impacto que teria ocorrido sem a incorporação. Em nossa visão, a gestão erra ao não liquidar integralmente essas posições o quanto antes. Em uma live, o gestor mencionou esperar uma leve recuperação nos preços desses ativos, perspectiva com a qual discordamos.
Vale destacar que a volatilidade do IRIM11 está acima do normal, reflexo das vendas realizadas por investidores oriundos do IRDM11. Entre os dias 9 e 16 de dezembro, o fundo desvalorizou 13%, em um claro movimento de saída dos cotistas transferidos do IRDM11.
Em resumo, trata-se de um FII gerido por uma gestora que perdeu bastante credibilidade no mercado, mas que agora está com a "faca e o queijo na mão" para iniciar um processo de recuperação. O preço extremamente descontado do fundo oferece uma boa margem de segurança para o investidor disposto a assumir uma tese de maior risco.
Conclusão do Analista
A incorporação ao IRIM11 representa o primeiro passo para a recuperação do IRDM11 e da credibilidade da Iridium. A anulação dos prejuízos contábeis da antiga carteira de FIIs concede ao IRIM11 uma oportunidade única de reciclar seu portfólio e reposicionar sua estratégia. Tudo isso, com um preço de mercado bastante descontado, reflexo da atual desconfiança dos investidores.
Embora a Iridium ainda não conte com 100% de nossa confiança, o cenário atual é favorável para que a gestora consiga gerar valor dentro do fundo. Por esse motivo, recomendamos a compra do IRIM11.
Contudo, é necessário destacar que essa é uma tese de investimento mais arriscada. Não acreditamos que o IRIM11 deva ter o mesmo peso na carteira que outros fundos de papel mais consolidados.