A última atualização do BTLG11 foi feita em junho de 2025, ocasião em que comentamos sobre a 14.ª emissão de cotas do fundo, cujo objetivo era levantar recursos para a aquisição do portfólio do SARE11. Seis meses depois, voltamos a escrever uma análise sobre o fundo, desta vez para comentar os resultados de sua 15.ª emissão.
O BTLG11 segue atuando de maneira bastante agressiva no mercado. Em um ano de Selic elevada, o fundo foi capaz de realizar duas novas captações, adquirir diversos imóveis e continuar vendendo outros.
Em 2025, foram realizadas duas vendas de imóveis, totalizando 11 alienações nos últimos quatro anos, que, somadas, alcançaram o montante de R$1,3 bilhão.
Na aquisição do portfólio do SARE11, já se sabia que o BTLG11 se desfaria de dois ativos, por se tratarem de lajes corporativas. Esses edifícios foram negociados por R$560 milhões, gerando um lucro de R$0,49 por cota, já recebido pelo fundo. Os recursos provenientes da venda serão utilizados para cumprir as obrigações do fundo previstas para 2026.
A 15.ª emissão do fundo teve início cinco meses após a anterior. Nessa emissão, foram captados R$450 milhões, dos quais 86% foram utilizados na aquisição de dois galpões _AAA_ localizados dentro do raio de 30 km da cidade de São Paulo. Essa transação elevou para 38% a participação da melhor região logística do país na receita do fundo.
Para 2026, seguimos confiantes na manutenção da estratégia; portanto, novas vendas são esperadas. É sabido que o BTLG11 precisa girar seu portfólio para manter o atual patamar de rendimentos. Ao analisarmos os resultados do fundo, observamos que 18% da receita provém de fontes não recorrentes. Em 2025, por exemplo, foram gerados R$6,80 por cota de forma recorrente e R$8,31 por cota ao somarmos todas as receitas.
A gestão divulga um _guidance_ entre R$0,78 e R$0,84 por cota. Atualmente, o BTLG11 já conta com uma reserva de R$0,20 por cota e R$0,65 por cota em lucros a receber provenientes de vendas já realizadas. Mesmo com essa folga, serão necessárias novas alienações para o cumprimento das expectativas no segundo semestre de 2026.
Um aspecto positivo para o fundo é o grande número de reajustes de aluguel previstos para o primeiro semestre deste ano. Cerca de 71% da receita do BTLG11 será reajustada pelo IPCA até o final de junho.
Ainda em 2026, outro ponto que merece destaque é a alavancagem do fundo. O BTLG11 possui quase R$900 milhões em obrigações com terceiros, sendo que a maior parte vence no curto prazo. Só neste ano, o fundo terá de pagar R$614 milhões.
Apesar de o cenário parecer preocupante, o BTLG11 já dispõe de recursos suficientes para honrar os pagamentos de curto prazo. No entanto, após a quitação dessas obrigações, o caixa do fundo será reduzido, o que implica menor receita financeira. Esse cenário apenas reforça a necessidade de novas vendas de imóveis para a manutenção dos dividendos.
Conclusão do Analista
O BTLG11 é um fundo que vem passando por um processo de reciclagem, com a gestão BTG buscando investir em imóveis de qualidade A+ e empreendimentos próximos à São Paulo. Apesar de gerar um risco mais elevado, o preço atual é atrativo e a recomendação é de compra. Portanto, para quem estiver ciente desta situação e disposto a acompanhar o desenvolvimento do fundo, é uma boa oportunidade.