Recomendamos a compra do BBFO11 em fevereiro de 2025, quando o fundo negociava a R$59,04. Um ano depois, a cotação do fundo é de R$72; portanto, houve uma valorização de R$12,96, o equivalente a 21,95%. Considerando uma venda, o investidor precisa pagar um imposto de 20% sobre o lucro, o que reduz o retorno da operação para 17,56%.
No período, ainda foram distribuídos R$8,81/cota em dividendos que, se reinvestidos, geraram uma TIR da operação de 34,68% ao ano. É importante iniciar esta atualização com esses números, pois não gostamos do setor de FOFs, mas, devido ao desconto exagerado da classe, fizemos algumas recomendações. Com a forte valorização da cota, é preciso reavaliar se a tese ainda sustenta uma recomendação de compra.
O BBFO11 foi recomendado por nós por unir preço descontado a uma carteira conservadora de fundos imobiliários. Das 10 maiores posições do fundo em fevereiro de 2025, 6 eram recomendadas pelo Simpla, enquanto outras duas eram fundos que, por pequenos detalhes, não passavam em nosso crivo.
Um ano depois, a situação é completamente diferente: das 10 maiores exposições da carteira, apenas 4 possuem recomendação positiva. Fundos como HGLG11, HGRU11, XPML11 e KNRI11 não fazem mais parte da carteira do BBFO11, e ativos como BTLG11, XPLG11 e AFHI11 tornaram-se quase irrelevantes.
Em nossa visão, está claro que houve uma piora no portfólio. O BBFO11 era conhecido por ser um fundo que fazia o básico bem feito, mas não podemos mais sustentar essa afirmação.
A carteira do fundo apresenta uma concentração de 50% em fundos de papel. A grande exposição a fundos de recebíveis sempre foi uma característica do fundo; porém, era balanceada com a compra de fundos de tijolo. Atualmente, a segunda classe mais representativa no portfólio são os hedge funds, os quais possuem parte relevante de seu capital alocada em CRIs. Isso gera uma sobreposição que torna a carteira do BBFO11 extremamente concentrada em recebíveis.
A elevada concentração em fundos de dívida permite que o BBFO11 apresente um dividendo superior ao de seus pares; entretanto, o fundo abre mão de um maior potencial de ganho de capital com a valorização dos ativos em carteira. Considerando o cenário de queda da Selic, uma maior exposição a fundos de tijolo seria muito bem-vinda.
Os fundos de tijolo, representados pelos setores de lajes corporativas, shoppings e galpões, correspondem a menos de 25% da carteira.
Além de ter perdido qualidade, reforçamos que o fundo já se valorizou de forma significativa. Como nosso objetivo no investimento em FOFs possui horizonte de curto a médio prazo, precisamos sempre avaliar se, do ponto de vista financeiro, faz sentido manter essa posição.
O PSEC11 também fez parte de nossas recomendações de fundos de fundos, e sua cotação ainda não se valorizou como esperado. Isso resulta em um P/VP de 0,83, contra 0,93 do BBFO11.
Ao calcularmos a TIR de dois anos para o investimento em ambos os fundos — ou seja, o quanto esperamos ganhar considerando valorização mais reinvestimento de dividendos —, mesmo em um cenário mais pessimista, o PSEC11 mostra-se mais atrativo.
Portanto, sob os aspectos qualitativo e financeiro, o investimento em BBFO11 merece questionamentos.
Conclusão do Analista
Diante de tudo o que escrevemos, não é surpresa a mudança de recomendação do fundo para venda. O portfólio perdeu qualidade, e o preço subiu de forma significativa. O desconto do BBFO11, embora ainda exista, é muito inferior ao de alguns pares. Como, no investimento em FOFs, o preço é extremamente mais relevante, não faz sentido mantê-lo em carteira. Portanto, recomendamos a venda do BBFO11.