A WEG apresentou mais um trimestre de elevada rentabilidade e retorno sobre o capital, mesmo diante de um ambiente ainda desafiador para o crescimento. No 2T26, a receita operacional líquida foi de R$ 10,1 bilhões, queda de 0,6% na comparação anual, enquanto o EBITDA recuou 2,1%, para R$ 2,2 bilhões. Apesar da leve acomodação, a margem EBITDA permaneceu em 21,8%, enquanto o ROIC atingiu 33,6%, alta de 0,7 p.p. em relação ao 2T25 e de 0,5 p.p. frente ao trimestre anterior.
O mercado externo continua sendo o principal vetor de crescimento da companhia. A receita internacional avançou 14,7% em dólares na comparação anual e 8,8% frente ao 1T26. Em moedas locais, considerando os efeitos das aquisições, o crescimento foi de 11,8%. América do Norte e Europa foram destaques, com demanda positiva principalmente em equipamentos para óleo e gás, sistemas de ventilação e refrigeração para data centers, além da continuidade do bom desempenho em transmissão e distribuição de energia. A valorização do real, porém, reduziu significativamente a conversão desse crescimento para reais.
Entre as áreas de negócio, Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) apresentou desempenho bastante positivo, com crescimento de 16,5% no mercado interno e 1,9% no externo. A boa atividade industrial, a demanda por equipamentos de ciclo curto e a evolução dos negócios de ciclo longo, especialmente nos segmentos de papel e celulose, contribuíram para o resultado. Já em Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), o mercado externo cresceu 5,8%, enquanto o mercado interno recuou 22,9% devido principalmente à ausência de novos projetos de geração solar centralizada em 2026. Em contrapartida, os negócios de transmissão e distribuição continuam apresentando boa carteira de pedidos.
As margens seguem sendo um dos principais diferenciais da WEG, embora tenham sofrido alguma pressão no trimestre. A margem bruta ficou em 33,2%, 0,5 p.p. abaixo do 2T25, impactada principalmente pelo aumento de custos de matérias-primas, especialmente o cobre, e pelas tarifas de importação nos Estados Unidos. Mesmo assim, a companhia continua implementando iniciativas de eficiência e ganhos de produtividade, enquanto mantém investimentos relevantes na expansão da capacidade produtiva.
A geração de caixa permanece bastante forte. Nos primeiros seis meses de 2026, a WEG gerou R$ 2,45 bilhões de caixa operacional, enquanto investiu R$ 1,42 bilhão, principalmente na expansão e modernização de suas fábricas. No período, o CAPEX foi direcionado tanto às operações brasileiras quanto às unidades no México, Colômbia, Estados Unidos e China. Ao final de junho, a companhia possuía R$ 7,75 bilhões em caixa e R$ 3,74 bilhões de caixa líquido, mantendo uma estrutura financeira bastante confortável.
Conclusão do Analista
A WEG é uma empresa sólida, com altos investimentos, estrutura de capital flexível e capacidade de geração de caixa. Ela se mantém à frente das tendências do mercado e cresce tanto por meio de aquisições e fusões quanto por crescimento orgânico. Apesar de todos esses fatores positivos, o preço das ações WEGE3 não é o suficiente para recomendar a compra.