A Boa Safra apresentou um trimestre de forte recuperação operacional, com Receita Operacional Líquida de R$ 125 milhões, alta de 23% na comparação anual, e Lucro Bruto de R$ 70 milhões, avanço de 83%. A Margem Bruta saltou de 38% para 56%, refletindo um patamar de custos mais favorável, maior eficiência operacional e a evolução do mix de receitas. O EBITDA Ajustado também apresentou forte recuperação, passando de R$ 4,6 milhões para R$ 27,7 milhões, com margem de 22%.
Um dos principais destaques do trimestre foi a diversificação das fontes de receita. As novas culturas, serviços e insumos alcançaram R$ 59 milhões no trimestre, crescimento de 90% em um ano, enquanto a carteira dessas atividades avançou de R$ 52 milhões para R$ 337 milhões. Com isso, negócios além da soja já representam uma parcela relevante da carteira e ajudam a reduzir a concentração e a sazonalidade do negócio, consolidando o modelo de _one-stop shop_ da companhia.
Para o segundo semestre, a companhia entra em uma posição operacional bastante favorável. A carteira de pedidos atingiu R$ 1,8 bilhão, novo recorde, enquanto os estoques de sementes de soja chegaram a R$ 622 milhões. A Boa Safra também ampliou sua originação para aproximadamente 320 mil hectares, contra 274 mil no ciclo anterior, buscando compensar os efeitos climáticos sobre a disponibilidade de sementes. As primeiras análises indicam um dos melhores índices de qualidade dos últimos ciclos, o que pode favorecer o aproveitamento dos volumes produzidos e a rentabilidade da safra 2026/27.
Outro ponto bastante positivo foi a evolução do capital de giro e da liquidez. O fluxo de caixa operacional do semestre foi positivo em R$ 204 milhões, revertendo o consumo de R$ 303 milhões registrado no 1S25. A Necessidade de Capital de Giro caiu de 66% para 29% da receita líquida LTM, menor nível da série recente para um segundo trimestre. A companhia encerrou junho com R$ 1,3 bilhão em caixa e aplicações financeiras, enquanto a dívida líquida recuou para R$ 620 milhões. Apesar do aumento do custo financeiro após as emissões de CRA, o alongamento do perfil da dívida reduziu significativamente a pressão de curto prazo.
A leitura geral do trimestre é positiva para a tese de investimento, especialmente pela combinação entre recuperação de margens, forte geração operacional de caixa, diversificação do portfólio e uma carteira recorde para o segundo semestre. O principal ponto de atenção continua sendo o elevado custo financeiro dos CRAs, que ainda limita a conversão da melhora operacional em lucro líquido — o resultado foi positivo em apenas R$ 2,7 milhões no trimestre. Ainda assim, considerando a sazonalidade do negócio, o segundo semestre será decisivo para a materialização da carteira em receita e caixa, e a Boa Safra chega a essa etapa com uma posição operacional e financeira mais preparada.
Conclusão do Analista
A Boa Safra é uma empresa asset light, com tendência de aumento de market share no setor de sementes. Além disso, o consumo de sementes tratadas pode aumentar o ticket médio das vendas. Por isso, recomendamos compra das ações Boa Safra (SOJA3) para quem busca mais segurança no longo prazo e redução de exposição ao momento político brasileiro.