A SLC Agrícola apresentou um trimestre de forte recuperação operacional no 2T26, com receita líquida de R$ 2,2 bilhões, alta de 16,8% na comparação anual, estabelecendo novo recorde para o segundo trimestre. O resultado bruto avançou 43,5%, para R$ 941,2 milhões, com margem bruta de 43,3%, impulsionado principalmente pelo melhor desempenho do algodão, da soja e do rebanho bovino. O EBITDA Ajustado cresceu 4,3%, para R$ 580,6 milhões, enquanto o lucro líquido avançou 75,3%, para R$ 245,1 milhões.
Do lado operacional, a safra 2025/26 segue apresentando bons indicadores. A soja foi colhida com produtividade recorde de 4.146 kg/ha, 4,7% acima da safra anterior, enquanto o algodão mantém expectativa de uma das melhores safras da história da companhia. A produtividade projetada do algodão de primeira safra está 20,6% acima do ciclo anterior e 7,5% acima do orçamento. O principal ponto de atenção permanece no milho segunda safra, cuja produtividade estimada foi reduzida em 12,1% frente ao projeto inicial devido ao plantio fora da janela ideal e à menor disponibilidade de chuvas.
A expansão da operação continua sendo um importante vetor estrutural de crescimento. A área plantada alcançou 832,6 mil hectares, alta de 13,1%, enquanto a companhia segue investindo em irrigação e ampliação da capacidade de beneficiamento de algodão. No trimestre, R$ 259,3 milhões foram destinados ao CAPEX, dos quais 53% para expansão, com destaque para os projetos de irrigação. Essas iniciativas aumentam o potencial produtivo das terras, permitem maior flexibilidade no calendário agrícola e reduzem a exposição aos riscos climáticos.
Por outro lado, a expansão veio acompanhada de maior necessidade de capital. A dívida líquida ajustada encerrou o trimestre em R$ 7,5 bilhões, elevando a alavancagem para 3,09x EBITDA, ante 1,97x ao final de 2025. Apesar do aumento, 78% da dívida bruta ajustada está concentrada no longo prazo e a companhia conseguiu reduzir o custo médio da dívida de 15,1% para 14,4% ao ano. A expectativa é de redução da alavancagem ao longo do segundo semestre, à medida que sejam faturadas e entregues as safras de algodão e milho, além da continuidade da comercialização da soja.
A SLC Agrícola segue apresentando uma combinação atrativa de escala, produtividade e qualidade dos ativos, com a forte recuperação do resultado bruto no trimestre reforçando a capacidade de geração de valor do negócio. A posição de hedge também permanece relevante para proteger margens em um cenário de volatilidade de commodities e câmbio. No curto prazo, entretanto, o aumento da alavancagem, a pressão do resultado financeiro e a menor produtividade do milho exigem acompanhamento. Mantemos uma visão positiva sobre a operação, sustentada pelo ganho de escala, pela qualidade do portfólio de terras e pelos investimentos em produtividade e irrigação.
Conclusão do Analista
A SLC Agrícola se consolidou como uma das empresas mais eficientes do agronegócio global, combinando escala, tecnologia e disciplina operacional. Mesmo em um cenário mais desafiador para as commodities, a companhia segue entregando bons níveis de rentabilidade, sustentada por ganhos de produtividade e pela estratégia asset light.
Apesar da volatilidade natural do setor, a diversificação geográfica e de culturas, aliada ao uso de hedge, reduz significativamente os riscos operacionais. No longo prazo, o crescimento da demanda global por alimentos tende a beneficiar players eficientes como a SLC. Mantemos uma visão positiva para a tese.