A Bradesco Saúde apresentou um 2T26 forte, com crescimento de receita, expansão do lucro e aumento da base de beneficiários. A receita total cresceu 10,8%, para R$ 13,9 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou 24,8%, atingindo R$ 1,1 bilhão. No primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 2,4 bilhões, crescimento de 27,6%.
A base de beneficiários alcançou 13,6 milhões de vidas, crescimento de 855 mil nos últimos 12 meses. Foram adicionadas 99 mil vidas em planos de saúde e 130 mil em planos odontológicos apenas no trimestre. O segmento de PMEs ultrapassou pela primeira vez a marca de 3 milhões de beneficiários, reforçando a importância desse mercado para a expansão futura da companhia.
A sinistralidade consolidada ficou em 83,8% no trimestre, alta de 1,7 p.p. na comparação anual. Apesar da pressão trimestral, a sinistralidade acumulada em 12 meses apresentou melhora de 1,0 p.p., para 83,3%, enquanto no primeiro semestre permaneceu praticamente estável, em 81,4%. Dessa forma, a piora observada no trimestre não altera, por enquanto, a tendência operacional de longo prazo.
O resultado financeiro também teve contribuição relevante. Os ativos financeiros chegaram a R$ 29,6 bilhões, crescimento de 8,7% em relação ao 2T25, enquanto o resultado financeiro avançou 28,5% no trimestre e 18,2% no semestre. A combinação entre crescimento operacional e uma robusta carteira financeira continua sendo um importante diferencial do modelo de negócios.
A Atlântica Hospitais foi outro destaque. O lucro líquido alcançou R$ 63,5 milhões no 2T26, alta de 312% na comparação anual, enquanto o lucro acumulado em 12 meses chegou a aproximadamente R$ 104 milhões. A operação também ampliou sua estrutura para 21 hospitais e 2.199 leitos operacionais, aumentando sua contribuição para o resultado consolidado.
Além disso, a companhia continua se beneficiando de características estruturais favoráveis do setor. A saúde suplementar ainda possui apenas 24,9% de penetração na população brasileira, enquanto 73% dos beneficiários de planos médico-hospitalares estão vinculados a planos empresariais. A consolidação do mercado, o envelhecimento da população e a baixa penetração em regiões como Norte e Nordeste também representam oportunidades de crescimento no longo prazo.
Seguimos positivos com a Bradesco Saúde. O resultado mostrou crescimento consistente da base de beneficiários, expansão relevante do lucro e evolução do resultado financeiro, enquanto a sinistralidade permanece sob controle no acumulado. A expansão da Atlântica e o crescimento das PMEs adicionam novos vetores de crescimento ao ecossistema. Como principal ponto de atenção, destacamos a inflação médica e a necessidade de manter a sinistralidade sob controle, mas, de maneira geral, o 2T26 reforça nossa visão positiva para a companhia.
Conclusão do Analista
A transformação da antiga Odontoprev em Bradsaúde muda significativamente a tese, ampliando a exposição para saúde suplementar, hospitais, diagnóstico, atenção primária e tecnologia. A diversificação, aliada à forte geração de caixa, estrutura financeira conservadora e possibilidade de captura de sinergias, cria novas avenidas de crescimento. Apesar dos riscos de integração, concentração acionária e expansão hospitalar, entendemos que o mercado ainda não precifica integralmente esse potencial. Iniciamos cobertura com recomendação de COMPRA para SAUD3.