A Compass apresentou um 2T26 de crescimento operacional consistente, mantendo a execução da estratégia apresentada no IPO. O EBITDA consolidado avançou 5%, para R$ 1,3 bilhão, enquanto o lucro líquido recuou 19%, para R$ 287 milhões. A queda do lucro foi explicada principalmente pelo aumento das despesas financeiras e da depreciação, decorrente dos novos projetos que entraram em operação. No acumulado do ano, o EBITDA cresce 4%, enquanto o lucro líquido recua 13%.
O segmento de Distribuição continua sendo a principal fonte de geração de resultados, com EBITDA de R$ 1,24 bilhão no trimestre, alta de 6%. Embora o volume distribuído tenha recuado marginalmente, o crescimento da base de clientes e o melhor mix entre consumidores residenciais e comerciais compensaram a menor demanda industrial. A companhia adicionou 179 mil novos consumidores nos últimos 12 meses, atingindo 3,15 milhões de clientes, enquanto o Opex por cliente caiu 6%, reforçando os ganhos de eficiência operacional.
O principal vetor de crescimento, entretanto, está em Marketing & Serviços, por meio da Edge. O volume comercializado avançou 27% no trimestre, enquanto a carteira de clientes mais que dobrou, para 61 contratos, e a atuação passou de sete para 11 estados. O EBITDA do segmento alcançou R$ 140 milhões, alta de 50%, impulsionado pelo mercado livre e pelas novas operações de GNL B2B e biometano. A expansão dessas atividades aumenta a exposição da Compass a um mercado de gás mais aberto e cria novas avenidas de crescimento além da distribuição regulada.
No lado financeiro, o principal ponto de atenção é o nível de endividamento, que encerrou o trimestre em R$ 11,5 bilhões, com alavancagem de 2,3x. A dívida líquida aumentou 3% no trimestre, principalmente pela distribuição de R$ 406 milhões em proventos, mas houve melhora importante no custo médio da dívida, que caiu para 99,9% do CDI, menor patamar histórico. Além disso, 95% dos financiamentos possuem vencimento no longo prazo, reduzindo o risco de pressão financeira no curto prazo.
Conclusão do Analista
A Compass chega à bolsa combinando características raras no mercado brasileiro: um negócio com perfil de utility, geração previsível de caixa e crescimento orgânico contratado por décadas, mas com uma opcionalidade relevante ligada à abertura do mercado livre de gás natural no Brasil. A companhia possui ativos de alta qualidade, liderados pela Comgás, além de uma avenida importante de crescimento via Edge, biometano e GNL off-grid.
Mesmo sendo uma empresa recém-listada e ainda em fase de provar ao mercado a execução de suas novas frentes, entendemos que o valuation do IPO ocorreu em patamar conservador. O principal ponto de atenção segue sendo a alocação de capital dentro do ecossistema Cosan e a necessidade de execução operacional da Edge nos próximos anos. Ainda assim, enxergamos uma assimetria positiva de risco-retorno para o longo prazo e mantemos recomendação de COMPRA para PASS3.