A Movida apresentou mais um trimestre de forte evolução operacional, com resultados acima do esperado e novos recordes de rentabilidade. No 2T26, a companhia registrou receita líquida de R$ 3,8 bilhões, EBITDA de R$ 1,7 bilhão (+22,3%) e lucro líquido de R$ 136 milhões, mais que o dobro do registrado no 2T25 e acima do guidance divulgado pela própria companhia. O ROIC atingiu o nível recorde de 16,7%, avanço de 4,0 p.p. em relação ao ano anterior, reforçando a melhora estrutural na geração de valor.
O segmento de Rent-a-Car foi um dos principais destaques. O volume de diárias cresceu 22,1%, enquanto a tarifa média avançou 7%, levando a receita líquida do segmento a R$ 1,1 bilhão (+30,4%) e o EBITDA a R$ 758 milhões (+30,8%). A taxa de ocupação chegou a 76,2%, indicando demanda saudável e maior eficiência na utilização da frota.
Em Gestão e Terceirização de Frotas (GTF), a companhia também apresentou evolução consistente. A receita cresceu 15,5%, para R$ 1,15 bilhão, enquanto o EBITDA avançou 18,2%, atingindo R$ 895 milhões. O backlog de contratos chegou a R$ 9,8 bilhões, alta de 40,4%, proporcionando maior previsibilidade para as receitas futuras. Além disso, os novos contratos apresentaram yield médio de 3,7% ao mês, acima dos 3,5% registrados no 2T25.
Outro ponto positivo foi a evolução da operação de Seminovos. A companhia vendeu 19,4 mil veículos no trimestre e conseguiu aumentar em 55% o giro do estoque, mantendo a margem EBITDA em 1,1%. A melhora na gestão do ciclo dos ativos é importante para a estratégia da Movida, permitindo renovar a frota sem comprometer a rentabilidade da operação.
A estrutura financeira também apresentou avanços. Apesar do aumento da dívida bruta para R$ 20,6 bilhões, a companhia conseguiu alongar o prazo médio da dívida de 3,4 para 3,9 anos e reduzir o spread médio de CDI+2,0% para CDI+1,8%. A alavancagem caiu para 2,66x dívida líquida/EBITDA, mantendo a trajetória de redução observada nos últimos períodos.
Para o 3T26, a Movida divulgou novo guidance de lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões. Considerando o ponto médio da projeção, o lucro acumulado nos nove primeiros meses de 2026 poderia chegar a aproximadamente R$ 400 milhões, 85% acima do 9M25 e 26% superior ao lucro de todo o ano de 2025.
Diante dos resultados, seguimos positivos com a companhia. A combinação de crescimento das operações de locação, melhora de preços e yields, maior eficiência na gestão dos ativos e redução gradual da alavancagem vem elevando significativamente a rentabilidade do negócio. O principal ponto de atenção continua sendo o elevado nível de endividamento e o impacto das altas taxas de juros sobre as despesas financeiras, mas a evolução operacional e a trajetória de desalavancagem indicam uma melhora consistente na qualidade dos resultados.
Conclusão do Analista
A Movida atravessa um momento importante de sua trajetória. Após anos priorizando crescimento acelerado, a companhia passou a focar em rentabilidade, geração de caixa e desalavancagem, movimento que já começa a aparecer nos resultados. O setor continua apresentando forte potencial de expansão, impulsionado pelo aumento da locação de veículos e da terceirização de frotas. Apesar do risco relacionado ao elevado endividamento, acreditamos que a queda dos juros pode destravar valor significativo para a companhia. Mantemos recomendação de COMPRA para MOVI3.