A Rede Mater Dei de Saúde reportou no primeiro trimestre de 2026 o melhor conjunto de resultados trimestrais de sua história, com receita líquida e EBITDA ajustado batendo recordes mesmo diante de um trimestre tradicionalmente mais fraco em razão da sazonalidade de férias e carnaval. A receita líquida atingiu R$ 575 milhões, alta de 15,1% frente ao 1T25, sustentada por uma combinação rara entre crescimento de volume e elevação de preço: o número de pacientes-dia cresceu 6,1% na comparação anual, enquanto o ticket médio avançou 8,4%, para R$ 2,86 milhões por leito, refletindo o melhor mix de especialidades, o avanço de procedimentos de maior complexidade — como cirurgias e oncologia — e a maturação das unidades de Nova Lima e Salvador.
A taxa de ocupação atingiu 84,3% considerando o paciente-day hospital, um recorde da rede e expansão de 4,6 pontos percentuais frente ao 1T25. Esse avanço foi alcançado mesmo com redução de 39 leitos operacionais médios em relação ao 4T25, resultado de uma estratégia deliberada da companhia de operar com taxa de ocupação mais elevada e maior eficiência por leito, em vez de simplesmente expandir capacidade física. O destaque operacional ficou por conta da unidade de Salvador, que registrou recorde de receita líquida com crescimento de 23% frente ao 1T25 e expansão de 56% nos pacientes oncológicos frente ao trimestre anterior, e da unidade de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que cresceu 19% em receita líquida frente ao 4T25, com avanço de 13% em pacientes oncológicos e avisos cirúrgicos — sinais claros de que as unidades mais recentes seguem em trajetória consistente de ramp-up.
A rentabilidade acompanhou a expansão da receita: o EBITDA ajustado somou R$ 130 milhões, crescimento de 34,6% frente ao 1T25, com margem de 22,6% — expansão de 3,3 pontos percentuais na comparação anual. A melhora de margem reflete a diluição de custos fixos com o crescimento de receita, a readequação do quadro de colaboradores administrativos e o ganho de eficiência operacional associado à maior taxa de ocupação. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 36,3 milhões, um salto de 79,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com margem líquida ajustada de 6,3%. Na comparação sequencial com o 4T25, o lucro recuou 2,4%, efeito pontual da maior alíquota efetiva de imposto de renda no trimestre — sem relação com a operação recorrente do negócio.
No campo financeiro, a Mater Dei manteve a trajetória de fortalecimento do balanço. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 800 milhões, estável em relação ao final de 2025, mas ao excluir os efeitos de recompra de ações e pagamento de dividendos — R$ 95 milhões acumulados —, a dívida líquida ajustada teria recuado para R$ 705 milhões, uma redução de R$ 76 milhões em doze meses. Com isso, a alavancagem medida pelo indicador ajustado situou-se em 1,4x dívida líquida sobre EBITDA, patamar confortável que reforça a flexibilidade financeira da companhia para sustentar seu plano de expansão. O prazo médio da dívida é de 5,16 anos, com custo médio de CDI − 0,79% ao ano — uma das estruturas de capital mais baratas do setor hospitalar brasileiro, fruto da qualidade de crédito reconhecida pela agência Fitch Ratings, que reafirmou em abril de 2026 o rating AA+(bra) da companhia com perspectiva estável.
Conclusão do Analista
A Mater Dei reúne atributos raros no setor hospitalar: marca consolidada, elevada qualidade assistencial, gestão experiente e atuação em um mercado com fortes barreiras de entrada. Após um ciclo intenso de aquisições e expansão, a companhia entra agora em uma fase de amadurecimento operacional, com potencial de recuperação de margens e aceleração da geração de caixa. Diante de um valuation atrativo frente aos principais concorrentes, iniciamos a cobertura com recomendação de **COMPRA**.