A Log entregou no 1T26 o maior lucro trimestral de sua história, mas a leitura do resultado exige separar os dois motores da companhia. O segmento de locação cresceu de forma consistente, com receita líquida avançando cerca de 20% e EBITDA de locação com margem estável acima de 85%, enquanto o segmento de desenvolvimento foi o protagonista do trimestre, com suas receitas crescendo 67% e puxando o EBITDA consolidado para R$ 185 milhões, alta de 53%. O lucro líquido de R$ 134 milhões impressiona no headline, mas é resultado em grande parte do ritmo acelerado de novas obras reconhecidas contabilmente no período, variável que por natureza tende a oscilar entre trimestres.
Na ponta operacional, os fundamentos da locação seguem excepcionais. A vacância estabilizada de 1,1% não tem paralelo no setor, e o ticket médio atingiu R$ 23,84/m² com crescimento real de preço pelo 15º trimestre consecutivo. O dado mais relevante, porém, é o potencial embutido: o ticket pedido atual está em R$ 26,57/m², indicando espaço de valorização de 11,5% à medida que as renegociações contratuais em andamento (ainda com 18% a ser concluído no 2S26) comecem a ter efeito caixa. As entregas do trimestre saíram 100% pré-locadas, reforçando a previsibilidade do portfólio em expansão.
O evento estrutural do trimestre foi a conclusão da maior transação da história da Log: a venda de 11 ativos estabilizados (333 mil m² de ABL) ao FII ILCP11, constituído em parceria com a Itaú Asset Management, por R$ 1,02 bilhão. A operação evidencia a capacidade da companhia de originar, desenvolver e monetizar ativos com disciplina, com margem bruta estimada de 33%. A estrutura preserva valor em duas frentes: cerca de 80% dos recursos entram em caixa no 2T26 e os 20% remanescentes ficam convertidos em cotas do FII, mantendo exposição ao portfólio alienado. A Log permanece como consultora imobiliária do fundo, o que adiciona receita recorrente ao resultado futuro. O impacto mais importante, contudo, é no balanço: a alavancagem ajustada, que subiu de 1,2x para 1,8x na comparação, deve cair para 0,3x em base pró-forma, o menor nível em cinco anos.
A tese de investimento na Log se sustenta na convergência de dois movimentos que devem ganhar tração nos próximos trimestres: a desalavancagem expressiva com a entrada de cerca de R$ 800 milhões no 2T26, que financiará o pipeline de desenvolvimento (659 mil m² em construção, alta de 150% na comparação anual) sem pressionar o balanço; e a materialização dos reajustes contratuais em receita ao longo de 2026 e 2027, com novas rodadas de revisional já previstas para 2027 e 2028.
Conclusão do Analista
A LOG apresenta um modelo de negócio sólido, baseado na construção, locação e reciclagem de ativos logísticos de alto padrão. A companhia vem mantendo níveis de vacância muito baixos e se beneficiando da migração estrutural para galpões logísticos mais modernos. Além disso, o crescimento do e-commerce e da logística integrada continua impulsionando a demanda por ativos triple A. A combinação entre qualidade de portfólio, execução consistente e reciclagem de capital sustenta uma tese de longo prazo atrativa. Por isso, temos recomendação de COMPRA para as ações da companhia.