A Klabin apresentou um **2T26 de estabilidade operacional**, mesmo diante de um cenário desafiador, marcado pela valorização do real, pressão sobre custos e conflitos geopolíticos. A receita líquida somou **R$ 5,2 bilhões**, queda de 2% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado atingiu **R$ 2,0 bilhões**, com margem de 38%. A manutenção do custo caixa em **R$ 3.204/t**, apesar da inflação de insumos e fretes, mostra que as iniciativas de eficiência vêm compensando parte das pressões sobre a operação.
O segmento de **celulose** foi o principal ponto de pressão. O volume vendido ficou praticamente estável, em 386 mil toneladas, mas a receita caiu 9%, para R$ 1,4 bilhão, principalmente pelo efeito cambial. O EBITDA do segmento recuou para R$ 704 milhões, ante R$ 864 milhões no 2T25. Em contrapartida, a companhia conseguiu capturar melhor desempenho em papéis e embalagens: o volume de papéis cresceu 4%, com destaque para o papel-cartão, enquanto a receita de embalagens avançou 3%, sustentada principalmente pelos reajustes de preços no papelão ondulado.
Um dos principais diferenciais continua sendo a **flexibilidade do portfólio**. A Klabin conseguiu direcionar sua produção entre celulose, papéis e embalagens de acordo com as condições de mercado, buscando priorizar produtos e regiões mais rentáveis. A companhia também segue avançando no ramp-up da MP28 e reforçando sua posição em produtos de maior valor agregado. Além disso, os preços de fibra longa e fluff continuaram apresentando trajetória positiva, beneficiados pela demanda consistente dos segmentos de higiene pessoal, cuidado infantil e adultos.
Na estrutura financeira, a companhia apresentou uma evolução positiva da alavancagem. A relação **Dívida Líquida/EBITDA em dólares caiu para 3,2x**, redução de 0,7x em doze meses, enquanto o caixa e equivalentes, incluindo títulos e valores mobiliários, alcançou **R$ 10,1 bilhões**. No primeiro semestre, foram investidos R$ 1,5 bilhão, 19% acima do mesmo período de 2025, principalmente em silvicultura, continuidade operacional e na modernização da unidade de Monte Alegre.
Outro ponto relevante foi o anúncio do **programa de recompra de ações**, que prevê a aquisição de até 31,25 milhões de units ao longo de 18 meses, com posterior cancelamento dos papéis. A medida demonstra a confiança da administração na geração de valor da companhia e representa uma forma adicional de remuneração aos acionistas, especialmente considerando a queda de 14,4% das units no 2T26.
Apesar da queda do lucro líquido para **R$ 387 milhões**, contra R$ 585 milhões no 2T25, o resultado foi influenciado por diferentes fatores, incluindo a menor contribuição do EBITDA e efeitos contábeis dos ativos biológicos. A companhia segue apresentando geração operacional robusta e mantém seu guidance de custo caixa entre **R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil por tonelada** para 2026.
**Seguimos positivos com a Klabin.** O trimestre mostrou uma empresa capaz de preservar sua rentabilidade mesmo em um ambiente adverso, utilizando a diversificação do portfólio e a flexibilidade operacional para proteger resultados. A recuperação dos preços de celulose, a evolução da MP28, a disciplina de custos, a redução da alavancagem e o programa de recompra formam um conjunto de fatores que reforça nossa visão favorável para **KLBN11** no longo prazo.
Conclusão do Analista
A Klabin atravessou um dos maiores ciclos de investimento da sua história e hoje começa a entrar em uma nova fase operacional. Após anos de CAPEX elevado com os projetos Puma I e Puma II, a companhia tende a direcionar uma parcela cada vez maior da geração de caixa para desalavancagem financeira e distribuição de dividendos.
Além disso, a empresa combina características raras dentro do setor de commodities: elevada diversificação operacional, exposição relevante a produtos de maior valor agregado e margens historicamente resilientes. Mesmo com a volatilidade natural do setor de papel e celulose, seguimos enxergando uma relação risco-retorno atrativa para KLBN4 no longo prazo.