A JSL apresentou um trimestre marcado pela combinação de crescimento, manutenção de margens e continuidade da desalavancagem. No 2T26, a receita bruta de serviços atingiu R$ 2,9 bilhões, alta de 6,3% em relação ao 2T25 e de 10,4% quando desconsiderados os contratos não rentáveis retirados da base comparativa. O EBITDA ajustado alcançou R$ 493,7 milhões, com margem de 19,8%, praticamente estável em relação ao trimestre anterior.
A geração de caixa foi um dos principais destaques do período. A companhia gerou R$ 164 milhões de caixa após o crescimento, já considerando o pagamento de juros, arrendamentos e aquisições. Além disso, a venda de ativos gerou R$ 91,9 milhões, enquanto o capex bruto foi de R$ 69 milhões, contribuindo positivamente para a geração de caixa do trimestre.
A **JSL Serviços Dedicados**, responsável por 72% da receita líquida de serviços, apresentou crescimento de 2% no trimestre. Excluindo os efeitos da saída de contratos não rentáveis e da migração das operações de grãos para a JSL Digital, o crescimento teria sido de 9,5%. A unidade também fechou novos contratos superiores a R$ 1,7 bilhão, com prazo médio de 64 meses, que devem contribuir para as receitas dos próximos períodos. O EBITDA alcançou R$ 351,6 milhões, com margem de 19,6%, avanço de 0,7 p.p.
A **Intralog**, responsável por 21% da receita líquida de serviços, cresceu 8%, impulsionada pela maturação dos contratos implantados no primeiro semestre. Já a **JSL Digital**, que representa 7% da receita, apresentou crescimento de 61%. Mesmo excluindo o efeito da migração das operações de grãos, o crescimento orgânico foi de expressivos 42,3%, reforçando o potencial de escala dessa vertical e a evolução do mix de negócios da companhia.
Outro destaque foi a entrada de novos contratos. Considerando todas as unidades, os novos contratos alcançaram aproximadamente R$ 2 bilhões no trimestre, com prazo médio de 60 meses. O elevado volume contratado, combinado ao perfil de longo prazo das operações, proporciona maior previsibilidade de receita e cria uma base importante para o crescimento futuro.
Apesar da evolução operacional, o lucro líquido ajustado foi de R$ 30,2 milhões, queda de 16,6% na comparação anual. O resultado foi impactado principalmente pelas despesas financeiras e pelos efeitos não recorrentes relacionados às aquisições. Em contrapartida, frente ao 1T26, o lucro líquido ajustado cresceu 366%, beneficiado pela melhora do resultado financeiro e pela redução da dívida líquida.
A desalavancagem continua sendo um dos principais pontos positivos da tese. A relação dívida líquida/EBITDA encerrou o trimestre em 2,74x, uma redução de 0,5x em relação ao 2T25. A companhia vem simultaneamente crescendo, priorizando contratos mais rentáveis e reduzindo sua alavancagem, combinação importante para a geração de valor no longo prazo.
Diante dos resultados, seguimos positivos com a JSL. A empresa continua apresentando crescimento orgânico, melhora na qualidade do portfólio, forte entrada de novos contratos e geração consistente de caixa. O principal ponto de atenção permanece sendo o nível de endividamento e a sensibilidade das despesas financeiras aos juros, mas a trajetória de desalavancagem, aliada à manutenção das margens e ao crescimento das operações asset light, reforça nossa visão positiva para a companhia.
Conclusão do Analista
Vemos a JSL bem posicionada para crescer com qualidade: escala, mix asset light, cross-selling robusto e capex enxuto favorecem geração de caixa e desalavancagem. O setor é vasto e fragmentado, com um vetor estrutural de consolidação que tende a premiar plataformas líderes como a JSL. No valuation relativo, o EV/EBITDA negocia levemente abaixo da Tegma e próximo do piso histórico da JSL, enquanto os números operacionais seguem melhorando — combinação que cria assimetria positiva para o investidor de médio/longo prazo.