O Banco Inter apresentou mais um trimestre de forte evolução operacional no 2T26, consolidando o avanço de seu modelo de crescimento com maior rentabilidade. A receita líquida alcançou R$ 2,6 bilhões, crescimento de 32% na comparação anual, enquanto o lucro líquido atingiu o recorde de R$ 421 milhões, alta de 34%. O ROE avançou para 16,3%, levando o Inter a atingir pela primeira vez a chamada Rule of 50, combinando crescimento de receita de 31,7% com ROE de 16,3%.
A expansão da plataforma continua sendo um dos principais vetores de crescimento. O banco encerrou o trimestre com 26,4 milhões de clientes ativos, alta de 15% em 12 meses, e adicionou 3,7 milhões de clientes ativos no período. O engajamento também evoluiu, com 32 milhões de transações financeiras por dia e TPV de R$ 453 bilhões no trimestre. O market share do Inter nas transações via Pix chegou a aproximadamente 9%, enquanto o ARPAC líquido atingiu recorde de R$ 35,5, crescimento de 10% em um ano, mostrando que a companhia vem conseguindo monetizar melhor sua crescente base de clientes.
A carteira de crédito cresceu 29% em relação ao 2T25, ritmo superior a três vezes o crescimento do mercado brasileiro. O avanço foi acompanhado pela expansão de produtos estratégicos, como o consignado privado, que alcançou R$ 2,8 bilhões, além do crescimento de 37% em financiamento imobiliário e home equity e de 23% na carteira de cartões. Apesar da expansão, o principal ponto de atenção permanece nos indicadores de crédito: o NPL acima de 90 dias chegou a 5,0%, ante 4,4% no mesmo período do ano anterior, pressionado principalmente pelo consignado privado e pelo crescimento da carteira de cartões.
Do lado do funding, o Inter mantém uma importante vantagem competitiva. Os depósitos alcançaram R$ 77,2 bilhões, crescimento de 24% em 12 meses, enquanto o custo de funding permaneceu em apenas 65,9% do CDI. Ao mesmo tempo, o NIM 2.0 atingiu 10,12%, seu maior nível histórico, beneficiado pelo repricing das operações, pelo crescimento do consignado privado e pela maior receita de juros dos cartões. A disciplina operacional também segue contribuindo para a expansão da rentabilidade, com as despesas operacionais crescendo 19%, abaixo dos 32% de crescimento da receita líquida, levando o índice de eficiência para 42,1%.
O resultado reforça nossa visão positiva sobre o Inter, que vem demonstrando capacidade de transformar crescimento de clientes, crédito e transações em maior monetização e rentabilidade. A combinação de uma plataforma digital altamente engajada, funding de baixo custo, expansão da carteira e melhora consistente do ROE sustenta uma perspectiva favorável para os próximos anos. O principal risco a ser monitorado é a qualidade da carteira, especialmente diante do rápido crescimento do consignado privado, além da evolução do índice de Basileia, que encerrou o trimestre em 14,4%. Ainda assim, o trimestre reforça a tese de que o Inter está entrando em uma nova fase, na qual o crescimento passa a ser financiado pela própria geração de lucros.
Conclusão do Analista
O Banco Inter vem se consolidando como uma das principais plataformas digitais do Brasil, com forte crescimento de base de clientes e evolução consistente na monetização. O modelo de super app, aliado ao uso intensivo de tecnologia, tem permitido ganhos relevantes de eficiência e engajamento.
Apesar dos desafios naturais do setor, como competição e necessidade de execução, a companhia apresenta um modelo escalável e com forte potencial de crescimento. Diante disso, seguimos com uma visão positiva para o ativo.