A Unifique apresentou um trimestre de forte crescimento operacional no 2T26, com Receita Operacional Líquida de R$ 344,7 milhões, alta de 20,5% na comparação anual. O desempenho foi sustentado pela expansão da base de clientes e, principalmente, pelo avanço das operações de telefonia móvel e dos serviços de TV e mídia. A companhia encerrou o trimestre com 909 mil acessos de banda larga, crescimento de 11,4% em um ano, enquanto a operação móvel praticamente dobrou de tamanho, alcançando 337,7 mil acessos.
A estratégia de expansão da telefonia móvel segue sendo um dos principais vetores de crescimento da companhia. A Unifique já estava presente em 211 cidades ao final de junho, cobrindo aproximadamente 5,9 milhões de pessoas, e 85% dos acessos móveis estavam vinculados a planos combo com banda larga. Além de aumentar o potencial de receita por cliente, a estratégia contribui para a fidelização da base. O churn da banda larga permaneceu em patamar bastante saudável, em 1,48%, ligeiramente abaixo do registrado no 2T25.
No resultado financeiro, o EBITDA Ajustado cresceu 17,7%, para R$ 169 milhões, mas a margem recuou para 49,0%, refletindo o aumento dos custos e despesas operacionais. O lucro líquido avançou apenas 1,5%, para R$ 45,9 milhões, pressionado principalmente pela elevação das despesas financeiras, que mais que dobraram na comparação anual. No acumulado do semestre, entretanto, o lucro líquido ainda apresenta crescimento de 19,2%, demonstrando que a expansão operacional permanece consistente.
A companhia também acelerou seus investimentos e movimentos de consolidação, incluindo a aquisição da iSUPER Telecom e da carteira de clientes e ativos da G9 Telecomunicações. O CAPEX atingiu R$ 77,1 milhões no trimestre, enquanto a geração de fluxo de caixa livre alcançou R$ 79,5 milhões, mostrando boa capacidade de conversão do resultado operacional em caixa. Apesar do aumento expressivo da dívida bruta após a emissão de R$ 500 milhões em debêntures, a Unifique encerrou o trimestre com R$ 736 milhões em disponibilidades e dívida líquida de R$ 387 milhões.
A leitura geral do trimestre permanece positiva para a tese de investimento. A companhia combina crescimento orgânico, expansão da operação móvel, consolidação do mercado regional e uma estrutura operacional altamente rentável. O principal ponto de atenção está na pressão sobre as margens e no aumento das despesas financeiras decorrente do maior endividamento, embora a alavancagem de apenas 0,58x Dívida Líquida/EBITDA Ajustado ainda ofereça bastante espaço para continuidade dos investimentos. A evolução da operação móvel, a captura de sinergias das aquisições e a manutenção da disciplina financeira serão os principais fatores a acompanhar nos próximos trimestres.
Conclusão do Analista
O seu negócio é bem menos intensivo em capital do que as líderes do setor, o que garante boa além de uma geração de caixa muito robusta. Como ponto de melhoria, faltam informações e dados para validar o potencial de crescimento futuro da companhia. Contudo, encontramos margem de segurança suficiente para recomendar a compra das ações FIQE3.