A Cosan apresentou um 2T26 marcado pelo avanço na simplificação da estrutura de capital, com redução relevante do endividamento e melhora do resultado corporativo. O prejuízo líquido atribuído aos controladores foi de R$ 320 milhões, contra R$ 946 milhões negativos no 2T25. Apesar do impairment de R$ 233 milhões relacionado ao TUP Porto São Luís, a companhia foi beneficiada pela melhora do resultado financeiro, pela redução das despesas administrativas e pela maior contribuição de Rumo e Moove via equivalência patrimonial.
O principal destaque, contudo, está na desalavancagem. A dívida líquida expandida encerrou o trimestre em R$ 9,2 bilhões, queda de 20% frente ao 1T26 e de 47% em 12 meses. Nos primeiros seis meses do ano, a Cosan já realizou R$ 8,8 bilhões em pré-pagamentos de dívida, reduzindo significativamente a concentração de vencimentos. O custo médio permaneceu em CDI +1,15%, enquanto o prazo médio da dívida ficou em 6,2 anos, indicando uma estrutura de capital mais confortável.
A otimização do portfólio também avançou. A conclusão do IPO secundário da Compass gerou aproximadamente R$ 2,3 bilhões líquidos para a Cosan, enquanto a companhia avançou na venda de parte das propriedades da Radar, operação que pode gerar cerca de R$ 586 milhões para sua participação. Além disso, foi apresentada proposta indicativa de R$ 300 milhões pela totalidade da participação no TUP Porto São Luís. O movimento reforça a estratégia de monetizar ativos e direcionar recursos para a redução do endividamento.
No portfólio, Rumo continua sendo o principal destaque operacional, com crescimento de 9% no volume transportado e lucro líquido 56% superior ao 2T25, embora o EBITDA ajustado tenha ficado praticamente estável. A Compass apresentou EBITDA de R$ 1,3 bilhão, alta de 5%, mesmo com volumes de gás praticamente estáveis, enquanto a Moove mostrou forte recuperação frente ao 1T26, alcançando R$ 475 milhões de EBITDA. Por outro lado, Radar apresentou deterioração relevante, impactada pela queda dos preços de arrendamento e pela reavaliação das terras em função da venda de parte do portfólio.
Conclusão do Analista
A Cosan (CSAN3) mantém ativos de qualidade em Compass, Rumo, Moove e Radar, mas a dívida elevada da holding deixou o risco mal remunerado. O ganho possível no melhor cenário não compensa a perda possível no pior, e falta a margem de segurança que exigimos.