A Cosan iniciou 2026 dando sequência ao processo de fortalecimento de sua estrutura de capital. Apesar de registrar prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão no trimestre, o resultado foi melhor que o observado no mesmo período do ano anterior e foi fortemente impactado por efeitos extraordinários relacionados ao pré-pagamento de dívidas, especialmente dos bonds internacionais, que geraram impactos contábeis relevantes no resultado financeiro e no imposto diferido, sem efeito caixa.
O grande destaque do trimestre foi a melhora do desempenho operacional do portfólio. A equivalência patrimonial voltou a contribuir positivamente, impulsionada principalmente pelos melhores resultados da Rumo, beneficiada pelo maior volume transportado, e da Moove, que apresentou evolução de volumes e margens. Já a Compass continuou entregando resultados sólidos, com crescimento do EBITDA e expansão das operações de distribuição de gás, enquanto a Raízen deixou de impactar a equivalência patrimonial após o investimento ter sido reduzido contabilmente a zero ao final de 2025.
Na frente financeira, a companhia avançou significativamente na desalavancagem. A dívida bruta da holding caiu de forma expressiva após a liquidação antecipada de diversas emissões de dívida, reduzindo o risco financeiro e alongando a estrutura de capital. Mesmo com a redução do caixa após esses pagamentos, a dívida líquida permanece muito inferior à registrada um ano antes, refletindo os recursos captados na capitalização realizada em 2025 e a estratégia ativa de gestão do passivo.
Outro marco importante para a tese foi a evolução da estratégia de monetização de ativos. Durante o período, a Compass concluiu com sucesso seu IPO, gerando aproximadamente R$ 2,1 bilhões líquidos para a Cosan, reforçando a liquidez da holding e ampliando sua flexibilidade para continuar reduzindo o endividamento e reciclando capital. Ao mesmo tempo, a administração reforçou que o processo de recuperação extrajudicial da Raízen possui escopo restrito e não afeta a estrutura financeira da Cosan nem de suas demais controladas.
Seguimos enxergando a Cosan em uma fase de transição importante. Após anos marcados pelo aumento da alavancagem, a companhia vem executando um plano consistente de simplificação societária, reciclagem de ativos e redução da dívida. Com um portfólio de negócios resilientes e líderes em seus segmentos, acreditamos que a continuidade desse processo tende a destravar valor para os acionistas ao longo dos próximos anos, à medida que o mercado passe a precificar uma estrutura financeira mais eficiente e transparente.
Conclusão do Analista
A Cosan atravessou um dos maiores processos de reorganização de sua história. Após reduzir a alavancagem, simplificar a estrutura societária e fortalecer seu caixa, a holding passa a concentrar seus esforços em ativos de alta qualidade e com vantagens competitivas relevantes. Apesar dos riscos inerentes ao endividamento e à execução da reestruturação, entendemos que o mercado ainda precifica um cenário excessivamente pessimista para a companhia. Mantemos nossa recomendação de COMPRA.