A BB Seguridade apresentou um trimestre de desempenho misto, com crescimento no acumulado do ano, mas pressão sobre o lucro no 2T26. No trimestre, o lucro líquido gerencial recorrente foi de R$ 2,15 bilhões, queda de 3,9% em relação ao 2T25. No acumulado do primeiro semestre, porém, o lucro chegou a R$ 4,37 bilhões, crescimento de 3,2%, mostrando que a companhia mantém uma trajetória positiva apesar de algumas pressões pontuais no trimestre.
Entre os negócios de risco e acumulação, a Brasilseg apresentou resultado de R$ 919,3 milhões no trimestre, queda de 2,1% na comparação anual, mas recuperação de 10,8% frente ao 1T26. O índice de sinistralidade encerrou o trimestre em 21,8%, praticamente estável em relação ao 2T25, enquanto o índice combinado caiu de 67,1% no 1T26 para 64,4%, indicando melhora operacional sequencial. Por outro lado, o índice de comissionamento avançou para 32,7%, 1,6 p.p. acima do 2T25, pressionando parcialmente as margens.
A Brasilprev foi um dos principais destaques positivos do semestre. No 2T26, o resultado gerencial recorrente alcançou R$ 253,4 milhões, queda de 18,8% na comparação anual, principalmente em função de efeitos financeiros negativos. Apesar disso, no 1S26 o resultado cresceu 13,4%, para R$ 657,4 milhões. As receitas com taxas de gestão avançaram 6,9% no semestre, apoiadas pelo crescimento de 10,1% no volume médio das reservas. Além disso, a captação líquida foi positiva em R$ 2,8 bilhões, revertendo o resgate líquido de R$ 5,2 bilhões registrado no 1S25.
A Brasilcap também apresentou evolução importante. O resultado no primeiro semestre cresceu 40,5%, para R$ 119,7 milhões, sustentado principalmente pelo avanço da margem financeira. No 2T26, o resultado ficou praticamente estável em R$ 49,9 milhões, enquanto o resultado financeiro de juros cresceu 7% no trimestre e 37,6% no acumulado do ano.
Já a BB Corretora apresentou leve retração. O lucro líquido foi de R$ 858,4 milhões no trimestre, queda de 2,9%, enquanto no primeiro semestre ficou praticamente estável, em R$ 1,73 bilhão. As receitas de corretagem recuaram 2,8% no trimestre, principalmente devido à queda das receitas de capitalização, que diminuíram 34,7%. Em contrapartida, as receitas de seguros, que representam 84,7% da corretagem, cresceram 0,4%, enquanto previdência avançou 4,6%.
Outro ponto importante foi o resultado financeiro. No 2T26, o resultado financeiro combinado da BB Seguridade e de suas investidas totalizou R$ 386,2 milhões, queda de 16,7% na comparação anual. A pressão veio principalmente do aumento do custo dos passivos da Brasilprev, da marcação a mercado negativa das carteiras e da redução do saldo médio das aplicações. No acumulado do ano, entretanto, o resultado financeiro cresceu 16%, para R$ 909,1 milhões, beneficiado pelo ambiente de juros elevados e pela evolução dos índices de inflação.
Apesar da queda do lucro no trimestre, a qualidade dos resultados permanece sólida. A companhia encerrou o semestre com R$ 4,4 bilhões de lucro líquido recorrente, crescimento de 3,2%, enquanto negócios importantes como Brasilprev e Brasilcap apresentaram evolução relevante. Além disso, o desempenho normalizado, que exclui os efeitos do descasamento temporal do IGP-M, mostra um lucro de aproximadamente R$ 2,22 bilhões no trimestre e R$ 4,41 bilhões no semestre, reduzindo a influência de efeitos financeiros pontuais sobre a análise do resultado.
Diante dos resultados, seguimos positivos com a BB Seguridade. A companhia continua apresentando elevada capacidade de geração de caixa, forte posição competitiva nos segmentos de seguros, previdência e capitalização e um modelo de negócios beneficiado pela distribuição através do Banco do Brasil. O principal ponto de atenção está na pressão pontual sobre Brasilprev, BB Corretora e Brasilseg, além da volatilidade dos resultados financeiros. Ainda assim, o crescimento do lucro no semestre, a recuperação operacional da Brasilseg e a evolução da Brasilprev e da Brasilcap sustentam uma perspectiva favorável para a companhia.
Conclusão do Analista
A BB Seguridade reúne características raras na bolsa brasileira: crescimento consistente, elevada previsibilidade de resultados, forte geração de caixa e distribuição robusta de dividendos. Seu modelo de negócios asset light, aliado à exclusividade da distribuição através do Banco do Brasil, cria uma vantagem competitiva difícil de ser replicada.
Além disso, a companhia continua se beneficiando do crescimento da penetração de seguros no Brasil e do atual ambiente de juros elevados. Com liderança em diversos segmentos e uma estrutura altamente rentável, mantemos recomendação de COMPRA para BBSE3.