A AUTOMOB apresentou mais um trimestre de evolução operacional, com crescimento de receita, melhora das margens e avanço importante na eficiência da operação. No 2T26, a receita bruta consolidada cresceu 13,0%, para R$ 3,7 bilhões, enquanto o lucro bruto avançou 16,0%, atingindo R$ 523,6 milhões. A margem bruta subiu 0,5 p.p., para 15,2%.
O principal destaque continua sendo a operação de veículos leves. As vendas de veículos novos cresceram 14,3% na comparação anual, enquanto a produtividade das lojas maduras avançou 22,6%, para 38 veículos vendidos por loja ao mês. Nos seminovos, o volume vendido aumentou 11,6%, 6,4 p.p. acima do crescimento do mercado, reforçando os ganhos de escala da companhia.
Outro ponto bastante positivo foi a evolução de F&I e produtos agregados, segmento estratégico para aumentar a rentabilidade sem exigir o mesmo nível de capital de giro da venda de veículos. A receita de F&I cresceu 27,0%, enquanto o lucro bruto avançou 32,5%. O volume financiado nos últimos 12 meses chegou a R$ 2,6 bilhões, crescimento de 29,1%.
Nos veículos pesados, a companhia também ganhou participação. A venda de caminhões e ônibus cresceu 17,6%, enquanto o mercado recuou 2,7%. O pós-vendas vem ganhando relevância e já representa 20% da receita do segmento, com margem bruta de 34,6%. Já o segmento de Agro e Máquinas continua enfrentando um cenário mais difícil, mas apresentou forte recuperação de rentabilidade: a margem bruta subiu de 9,2% para 14,4%.
O EBITDA Ajustado cresceu 24,8%, para R$ 137,8 milhões, com margem de 4,0%. Apesar da evolução operacional, a companhia ainda apresentou prejuízo líquido de R$ 95 milhões, pressionado principalmente pelo resultado financeiro e pelo imposto de renda. O prejuízo ajustado foi de R$ 87,5 milhões.
Na estrutura financeira, houve uma evolução importante. A dívida líquida caiu 0,6% em relação ao 2T25, para R$ 2,0 bilhões, enquanto a alavancagem recuou de 3,8x para 3,6x EBITDA. Além disso, o estoque pago caiu 31%, redução de R$ 374 milhões, e o ciclo de conversão de caixa diminuiu de 40 para 24 dias.
Seguimos positivos com a AUTOMOB. A companhia vem demonstrando que a estratégia de aumento de produtividade, maior participação de serviços e melhoria da gestão de estoques começa a aparecer nos resultados. O principal desafio continua sendo a elevada despesa financeira e a necessidade de transformar a melhora operacional em lucro líquido recorrente. Ainda assim, a evolução das margens, a redução do capital empregado e o crescimento de F&I reforçam nossa visão de que a empresa possui espaço relevante para criação de valor à medida que captura eficiência sobre sua plataforma atual.
Conclusão do Analista
A Automob atravessa um momento desafiador após a cisão da Vamos e a fraqueza do agronegócio, mas enxerga-se um claro potencial de recuperação à medida que o ciclo do agro melhora, os juros recuam e a desalavancagem avança. Acreditamos que 2026 deve marcar a volta aos níveis históricos de rentabilidade, destravando valor para o acionista. Por isso, mantemos AMOB3 como COMPRA para investidores arrojados, com a ressalva de que é essencial monitorar a exposição total ao Grupo Simpar, dado o grau de correlação entre as empresas do conglomerado.