A ALLOS apresentou mais um trimestre de evolução consistente, combinando crescimento de receita, expansão do EBITDA e forte geração de caixa. No 2T26, a receita líquida atingiu **R$ 732,3 milhões**, alta de 11,6% na comparação anual, enquanto o EBITDA avançou 10,5%, para R$ 525,4 milhões. O FFO, indicador mais importante para acompanhar a geração de caixa da operação, cresceu 12,0%, para R$ 340,8 milhões, mesmo diante de um cenário de juros elevados. O desempenho foi beneficiado principalmente pelas verticais de mídia e desenvolvimento imobiliário, além dos ganhos de eficiência obtidos com o programa de simplificação da companhia.
A operação dos shoppings permaneceu saudável, embora o crescimento das vendas tenha desacelerado em relação ao ano anterior. As vendas mesmas lojas (SSS) avançaram 2,6%, enquanto os aluguéis mesmas lojas (SSR) cresceram 4,6%, levando as vendas totais do portfólio a R$ 10,5 bilhões no trimestre. A taxa de ocupação permaneceu elevada, em 96,3%, e a inadimplência líquida caiu para 1,2% da receita. O NOI atingiu R$ 601,3 milhões, crescimento de 3,8%, sendo que, excluindo os efeitos pontuais relacionados ao Shopping Tijuca, a expansão teria sido de 5,2%.
Outro destaque foi a evolução das receitas menos intensivas em capital. A receita de serviços cresceu 39,6%, impulsionada principalmente pela expansão da mídia, enquanto a receita da operação de mídia avançou 84,5% e já representa 10,6% da receita total da companhia. A plataforma digital também apresentou forte crescimento, com GMV de R$ 1,6 bilhão, alta de 31%, e 17 milhões de sessões no trimestre. Além disso, o masterplan do Parque Dom Pedro adiciona um importante vetor de criação de valor, com potencial de R$ 4,5 bilhões em VGV e projetos de uso misto no entorno do shopping.
A melhora da eficiência operacional também merece destaque. As despesas de vendas, gerais e administrativas caíram 5,6%, para R$ 105,8 milhões, como resultado do programa de simplificação implementado pela companhia. Com isso, a ALLOS conseguiu expandir o EBITDA mesmo com uma margem menor nas novas verticais, como mídia, que possuem menor margem que o negócio tradicional de aluguel, mas exigem menos capital. A companhia também mantém uma estrutura financeira confortável, com alavancagem de apenas **1,7x dívida líquida/EBITDA**, enquanto já distribuiu R$ 1,2 bilhão entre dividendos e JCP em 2026.
Seguimos positivos com a ALLOS. A companhia continua combinando um portfólio de shoppings de elevada qualidade, forte geração de caixa e disciplina financeira com novas avenidas de crescimento, especialmente em mídia, desenvolvimento imobiliário e negócios digitais. O crescimento mais moderado das vendas mesmas lojas é um ponto a acompanhar, mas a evolução do SSR, a elevada ocupação, os ganhos de eficiência e a capacidade de gerar valor a partir dos ativos existentes reforçam nossa visão de que a ALLOS permanece bem posicionada para continuar aumentando seus resultados e remunerando os acionistas.
Conclusão do Analista
Após a conclusão das fusões que deram origem à ALLOS, a companhia consolidou sua posição como a maior plataforma de shoppings da América Latina e começa a capturar os ganhos de escala, eficiência e geração de caixa provenientes dessa integração. A estratégia de reciclagem de portfólio, aliada à disciplina na alocação de capital, tem permitido elevar a qualidade média dos ativos sem aumentar a exposição ao risco.
Além disso, a expansão das receitas de mídia, projetos multiuso e iniciativas digitais cria novas avenidas de crescimento além dos aluguéis tradicionais. Com ativos de qualidade, gestão disciplinada e ações negociando abaixo do valor de reposição dos imóveis, mantemos recomendação de COMPRA para ALOS3.