A BrasilAgro apresentou um trimestre desafiador, impactado principalmente pela queda dos preços das commodities agrícolas, pelo desempenho mais fraco da cana-de-açúcar e pela ausência dos ganhos relevantes com venda de fazendas observados no ano anterior. A receita líquida total caiu 14% no trimestre, para R$ 145,8 milhões, enquanto a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 14,3 milhões.
Apesar do resultado consolidado mais fraco, algumas culturas apresentaram evolução operacional importante. Soja e milho continuaram mostrando ganhos de eficiência, com melhora das margens e aumento dos volumes comercializados. Em contrapartida, o algodão foi o principal destaque negativo, sofrendo forte pressão de preços e custos, o que levou a margens negativas e impactou significativamente a rentabilidade da operação.
Outro fator relevante foi a redução do impacto positivo da marcação a mercado dos ativos biológicos. Nos nove meses do exercício, essa linha praticamente deixou de contribuir para os resultados, refletindo principalmente a queda dos preços de referência da soja e de outras commodities utilizadas na avaliação dos ativos agrícolas.
Do lado financeiro, a companhia continuou sentindo os efeitos dos juros elevados e do maior nível de endividamento, embora tenha sido parcialmente beneficiada pela valorização do real e por uma melhora nos resultados das operações de hedge. Ainda assim, o EBITDA ajustado acumulado caiu 78% em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando um ambiente operacional mais pressionado para o agronegócio.
Por outro lado, a gestão segue adotando uma postura conservadora na comercialização da safra, com aproximadamente 82% da soja já protegida por hedge a preços médios considerados atrativos e cerca de 75% da exposição cambial travada. Além disso, a companhia mantém um portfólio de terras de elevada qualidade e segue gerando valor por meio da transformação e valorização dos ativos imobiliários rurais, que continuam sendo um dos principais pilares da tese de investimento.
Conclusão do Analista
A BrasilAgro possui um modelo de negócios diferenciado dentro do agronegócio, combinando produção agrícola com desenvolvimento e valorização de propriedades rurais. Apesar do momento operacional mais fraco em decorrência da queda dos preços das commodities e de desafios climáticos, a companhia continua detendo um portfólio de terras de alta qualidade e uma estratégia capaz de gerar valor ao longo dos ciclos do setor.
Além disso, o valor das propriedades, a gestão ativa do portfólio e a possibilidade de recuperação dos preços agrícolas criam uma assimetria interessante para o longo prazo. Por esse motivo, mantemos recomendação de COMPRA para AGRO3.