A PetroReconcavo encerrou o 4T25 com um resultado mais fraco, refletindo principalmente a combinação entre menor produção, queda do Brent e efeitos operacionais em campos relevantes. A produção média do trimestre foi de 25,0 mil boe/dia, queda de 5% em relação ao 3T25, impactada por paradas não programadas no campo de Tiê, falhas em poços de alta vazão, manutenção em ativos do Potiguar e menor ritmo de workovers no período.
A receita líquida somou R$ 704 milhões no trimestre, retração de 10% frente ao trimestre anterior. Esse movimento foi explicado principalmente pela queda de 8% na produção de petróleo, pelo Brent mais fraco e por piores condições de comercialização em alguns ativos, inclusive após atualizações contratuais que pressionaram o preço médio realizado na Bahia. Mesmo assim, a companhia seguiu avançando na sua estratégia comercial e logística, com iniciativas para reduzir descontos e ampliar a flexibilidade de escoamento no futuro.
Do lado dos custos, houve alguma melhora sequencial. Os custos e despesas operacionais caíram 6% em relação ao 3T25, enquanto o lifting cost recuou para US$ 14,32/boe, o menor nível de 2025, ajudado pela menor incidência de reparos de poços e por menor gasto com integridade de ativos. Além disso, a aquisição de 50% da UPGN Guamaré trouxe ganhos concretos no midstream, com redução aproximada de R$ 11 milhões nos custos de processamento e escoamento de gás no trimestre.
Ainda assim, a pressão sobre receita e produção pesou mais no resultado final. O EBITDA ficou em R$ 295 milhões no 4T25, queda de 16% frente ao 3T25, enquanto o lucro líquido recuou para R$ 51 milhões, baixa de 58% na mesma comparação. O resultado financeiro também voltou a pressionar o trimestre, com impacto negativo da marcação a mercado dos swaps, ainda que parte desse efeito seja contábil e não represente saída imediata de caixa.
Em compensação, a companhia terminou o ano ainda com balanço relativamente sólido e mantendo capacidade de execução. A dívida líquida encerrou 2025 em R$ 1,6 bilhão, equivalente a 1,10x EBITDA dos últimos 12 meses, nível ainda administrável para o setor. Além disso, a empresa reforçou sua estrutura de capital com a 4ª emissão de debêntures, alongou o perfil da dívida e ampliou a proteção de hedge, o que deve ajudar a reduzir volatilidade daqui para frente, especialmente em um cenário de petróleo menos favorável.
Conclusão do Analista
A PetroReconcavo construiu uma tese relevante baseada na revitalização de campos maduros e na captura de valor em ativos onshore, mas os resultados recentes passaram a frustrar. Ao longo de 2025, a companhia entregou produção abaixo do esperado, enquanto os custos de extração seguiram pressionados. Além disso, a alta do petróleo deve beneficiar menos a empresa do que outros pares, por conta do nível elevado de hedge já contratado. Diante da deterioração operacional e da piora na relação risco-retorno, revisamos nossa visão para VENDA.