O ambiente macroeconômico no 2T25 seguiu desafiador, com a taxa Selic mantida em 15% a.a. desde julho, pressionando o custo financeiro e limitando o consumo discricionário. Apesar disso, o setor farmacêutico manteve um crescimento robusto, sustentado pela maior frequência de compras de medicamentos e pela expansão da demanda por tratamentos crônicos. A administração da RaiaDrogasil destacou que esse contexto de resiliência estrutural segue favorecendo o setor, ainda que o reajuste autorizado pela CMED em 2025, de apenas 3,83% (o menor em oito anos), tenha reduzido o efeito inflacionário de estoques e gerado pressão sobre margens.
A companhia encerrou o trimestre com 3.371 farmácias em operação, após 70 inaugurações líquidas, e reiterou o guidance de 330 a 350 aberturas em 2025. A rede já alcança 642 municípios e 16,4% de market share nacional, com presença em praticamente todas as cidades brasileiras acima de 100 mil habitantes.
No período, a receita bruta consolidada foi de R$11,7 bilhões, crescimento de 12,0% a/a, enquanto a receita líquida somou R$10,8 bilhões, alta de 11,8% frente ao 2T24. Esse resultado foi sustentado pelo varejo ex-4Bio, que cresceu 13,1%, e pela expansão em todas as categorias de medicamentos, com destaque para marcas (+16,6%) e genéricos (+17,8%). O crescimento em mesmas lojas avançou 7,3% e, nas lojas maduras, a alta foi de 5,5%, superando tanto a inflação do período (5,4%) quanto o reajuste CMED de 3,1%.
O lucro bruto foi de R$3,2 bilhões, com margem de 27,4%, queda de 0,8 p.p. a/a. A contração refletiu o menor ganho inflacionário de estoques e o maior peso dos GLP-1, parcialmente compensados pelo efeito positivo do ajuste a valor presente. As despesas de vendas e administrativas foram mantidas sob controle, com diluição em função do maior volume de vendas.
O EBITDA ajustado atingiu R$885 milhões, margem de 7,6%, queda de 0,3 p.p. a/a, mas avanço sequencial de 1,6 p.p. No varejo, o EBITDA foi de R$863 milhões (margem 8,0%), enquanto a 4Bio apresentou R$22 milhões (margem 2,6%), alinhada à estratégia de rentabilização da divisão.
O lucro líquido ajustado chegou a R$403 milhões, com margem líquida de 3,5%, crescimento de 12,9% a/a. A alíquota efetiva foi reduzida a 6,3% devido à reversão de provisões tributárias ligadas à Lei 14.789/2023, efeito não recorrente que beneficiou o resultado. Excluindo esse impacto, a taxa teria sido de 17%, em linha com o histórico.
O ciclo de caixa melhorou para 61,2 dias, redução de 5,7 dias em relação ao ano anterior, com destaque para menor nível de estoques e maior prazo com fornecedores. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$36,9 milhões, revertendo consumo líquido do 2T24, mesmo após capex robusto de R$316 milhões, voltado principalmente para novas lojas e tecnologia.
A dívida líquida ajustada encerrou em R$3,9 bilhões, equivalente a 1,3x EBITDA ajustado, com 97% concentrada em debêntures e CRIs e 75% do saldo no longo prazo. No trimestre, a companhia reforçou sua estrutura de capital com a 10ª emissão de debêntures, de R$500 milhões, classificada como AAA.br.
Na frente digital, as vendas totalizaram R$2,6 bilhões (+52% a/a), representando 24,1% do varejo, com 79% transacionados pelo app. A operação isolada já seria a 4ª maior rede do país, apoiada por entregas rápidas, Compre & Retire e maior engajamento de clientes digitais, que gastam em média 24% a mais.
Em termos de rentabilidade, o ROIC foi de 20,34%, refletindo a eficiência da expansão e a otimização do portfólio, enquanto o ROE atingiu 5,31%, limitado pelo alto nível de capital investido e pelo estágio de maturação de parte relevante das lojas. Isso indica potencial de valorização futura à medida que a expansão se estabilizar.
Em resumo, o 2T25 mostrou solidez nos fundamentos da RD Saúde: crescimento real em mesmas lojas, avanço digital expressivo, disciplina em custos e melhora do ciclo de caixa. O elevado ROIC reforça a qualidade da execução e o potencial de geração de valor, enquanto o ROE mais baixo reflete um momento de forte expansão, que tende a se traduzir em maior rentabilidade acionária no médio prazo.
Conclusão do Analista
A RaiaDrogasil conseguiu construir um negócio de escala invejável devido à gestão eficiente e à abertura de lojas produtivas. No entanto, o setor farmacêutico exige grande escala para obter lucro, e a empresa tem preços agressivos. Por isso, não recomendamos a compra de RADL3.