A PRIO apresentou um trimestre operacionalmente forte, com crescimento relevante de produção impulsionado principalmente pela consolidação do campo de Peregrino. A produção avançou significativamente tanto na comparação anual quanto sequencial, refletindo o closing da aquisição e a retomada das operações após a interdição do FPSO. Esse movimento reforça a capacidade da companhia de executar aquisições e rapidamente extrair valor dos ativos incorporados.
Apesar do avanço operacional, houve pressão relevante na realização de preços. O desconto em relação ao Brent aumentou ao longo do trimestre, influenciado principalmente pelo maior peso de Peregrino no mix — um óleo mais pesado — além de fatores logísticos e aumento no custo de frete. Isso mostra que, embora a PRIO tenha ganho escala, a qualidade do óleo e o ambiente externo passaram a impactar mais diretamente a monetização.
Do lado de custos, o trimestre mostrou sinais mistos. O lifting cost apresentou queda sequencial relevante, beneficiado pela normalização da produção e início das otimizações em Peregrino. Ainda assim, na comparação anual, houve aumento, refletindo justamente a incorporação do novo ativo e os efeitos da interdição. A estratégia da companhia segue clara: reduzir custos como principal proteção contra a volatilidade do petróleo.
Financeiramente, a companhia conseguiu crescer receita no trimestre, mesmo com um Brent mais fraco, sustentada pelo forte aumento de produção e vendas. O EBITDA apresentou leve crescimento anual, mas o lucro líquido veio pressionado, impactado principalmente pelo forte aumento de depreciação e amortização — consequência direta das aquisições recentes — além de maior despesa financeira com o aumento do endividamento.
Por fim, o balanço mostra uma companhia em fase de expansão, com aumento relevante da dívida líquida para financiar crescimento, especialmente ligado a Peregrino e aos investimentos em Wahoo. Apesar disso, a PRIO segue com uma estrutura de capital robusta e alongada, mantendo flexibilidade financeira para continuar sua estratégia de aquisições e desenvolvimento de ativos, ainda que com maior sensibilidade ao ciclo do petróleo no curto prazo.
Conclusão do Analista
A PRIO segue sendo uma das petrolíferas independentes mais bem executadas do Brasil, com histórico consistente de redução de custos, aquisições estratégicas e geração de valor. Ainda assim, após a atualização do modelo, entendemos que o valuation deixou de oferecer uma margem de segurança confortável. Em um setor tão dependente do preço da commodity, esse ponto pesa bastante na decisão de investimento. Mesmo reconhecendo a qualidade da operação, o atual nível de preço já incorpora um cenário mais otimista do que consideramos prudente. Por isso, revisamos a recomendação para VENDA.