A Compass encerrou 2025 com resultados resilientes, sustentados principalmente pela evolução da Edge no mercado livre de gás e pela estabilidade do segmento de distribuição. A companhia registrou EBITDA normalizado de R$ 5 bilhões no ano, crescimento de 11% em bases recorrentes, refletindo melhora de mix, reajustes tarifários e expansão das operações ligadas ao mercado livre.
No segmento de distribuição, a empresa manteve forte ritmo de expansão operacional, atingindo 3,1 milhões de clientes e quase 28 mil quilômetros de rede. O destaque positivo ficou para o segmento residencial, que avançou 15% no trimestre, impulsionado pelo crescimento de conexões e temperaturas mais amenas. Por outro lado, os segmentos automotivo e industrial sofreram maior pressão no período.
Já a Edge continuou ampliando presença no mercado livre, com volume comercializado crescendo mais de 100% no acumulado do ano. A companhia também avançou em projetos estratégicos ligados à transição energética, como biometano e GNL off-grid, fortalecendo seu posicionamento como plataforma integrada de gás e energia no Brasil.
Apesar da evolução operacional, o lucro líquido apresentou queda relevante em 2025, impactado principalmente pelo aumento do custo da dívida e dos juros, além da ausência de efeitos não recorrentes positivos registrados em 2024. O resultado financeiro pressionou os números do período, levando a alavancagem para 2,2x Dívida Líquida/EBITDA.
Olhando para frente, seguimos vendo a Compass como uma tese ligada ao crescimento estrutural do mercado de gás natural no Brasil. A combinação entre expansão da distribuição, crescimento do mercado livre e avanço em soluções de transição energética pode sustentar a geração de valor no longo prazo, embora o cenário de juros elevados ainda represente um ponto de atenção para a companhia.
Conclusão do Analista
A Compass chega à bolsa combinando características raras no mercado brasileiro: um negócio com perfil de utility, geração previsível de caixa e crescimento orgânico contratado por décadas, mas com uma opcionalidade relevante ligada à abertura do mercado livre de gás natural no Brasil. A companhia possui ativos de alta qualidade, liderados pela Comgás, além de uma avenida importante de crescimento via Edge, biometano e GNL off-grid.
Mesmo sendo uma empresa recém-listada e ainda em fase de provar ao mercado a execução de suas novas frentes, entendemos que o valuation do IPO ocorreu em patamar conservador. O principal ponto de atenção segue sendo a alocação de capital dentro do ecossistema Cosan e a necessidade de execução operacional da Edge nos próximos anos. Ainda assim, enxergamos uma assimetria positiva de risco-retorno para o longo prazo e mantemos recomendação de COMPRA para PASS3.