O 3T25 confirmou a trajetória de crescimento consistente da Odontoprev, que apresentou avanço de receita, expansão da base de beneficiários e manutenção de elevados níveis de rentabilidade, mesmo em um ambiente competitivo mais intenso. Esse foi o trimestre mais forte da história recente da companhia, com recordes de adições líquidas e desempenho robusto do segmento PME, reforçando a resiliência do modelo de negócios e a força das parcerias estratégicas.
A receita líquida atingiu R$602,3 milhões, crescimento de 5,4% a/a, sustentado principalmente pelo aumento do tíquete médio, que avançou para R$22,44 por vida/mês (+2,2% a/a), e pelo crescimento da base de beneficiários.
A base total de beneficiários alcançou 9,13 milhões de vidas, com 150,7 mil adições líquidas no trimestre, o maior nível histórico para um terceiro trimestre. O grande destaque foi novamente o segmento PME, que adicionou 68,6 mil vidas no período, impulsionado pela marca Bradesco Dental, que atingiu 81% de participação nessa carteira. O segmento corporativo também apresentou desempenho sólido, com 76,0 mil adições líquidas, enquanto os planos individuais permaneceram praticamente estáveis, refletindo maior seletividade comercial.
Do lado de custos, o índice de sinistralidade consolidado ficou em 40,6%, alta de 2,9 p.p. a/a, explicada principalmente por fatores sazonais e pela maior utilização dos planos, especialmente no segmento PME. Ainda assim, o patamar permanece controlado e próximo aos níveis históricos da companhia, evidenciando disciplina na gestão da rede credenciada e eficiência nos processos de regulação de sinistros.
O EBITDA ajustado totalizou R$178,1 milhões, crescimento de 0,9% a/a, com margem de 29,6%, levemente abaixo do recorde observado no 3T24, mas ainda em patamar elevado.
O lucro líquido recorrente somou R$128,7 milhões, retração de 9,2% a/a, refletindo principalmente a maior sinistralidade, menor resultado financeiro e maior alíquota de imposto. A margem líquida ficou em 21,4%, ainda elevada, mas abaixo do nível observado no mesmo período do ano anterior.
O ROE dos últimos doze meses alcançou 42,6%, avanço relevante frente aos 38,9% do período anterior, reforçando o elevado retorno sobre capital da companhia e a eficiência do modelo asset light.
A geração de caixa operacional permaneceu robusta, com R$144,8 milhões no trimestre, permitindo à companhia encerrar setembro com caixa líquido de R$1,04 bilhão e dívida zero. O CAPEX somou R$23,8 milhões, com foco prioritário em tecnologia, desenvolvimento de sistemas e digitalização de processos, reforçando a eficiência operacional e a experiência do beneficiário. A companhia segue direcionando investimentos para automação, analytics e melhoria da jornada do cliente, pilares relevantes para a manutenção de margens no longo prazo.
Conclusão do Analista
Apesar de apresentar um crescimento mais previsível e alinhado à média do setor, a Odontoprev vem combinando eficiência operacional elevada, geração robusta de caixa e retorno consistente ao acionista. Mesmo após a queda recente das ações, entendemos que a qualidade dos fundamentos, aliada à política agressiva de distribuição de dividendos e ao elevado retorno sobre o capital, sustenta uma relação risco-retorno atrativa nos níveis atuais de preço. Diante desse cenário, elevamos nossa recomendação para COMPRA para as ações da Odontoprev (ODPV3).