A M. Dias Branco encerrou 2025 com receita líquida de R$10,4 bilhões, crescimento de 8% sobre 2024, sustentado pela combinação de volume (+3,1%) e preço médio (+4,7%). O resultado mostra que a reestruturação comercial iniciada no ano — com a criação de quatro frentes de crescimento (Produtos Principais, Food Service, Saudáveis/Snacks e Internacional) e redistribuição dos investimentos entre Marketing e Trade Marketing — começou a surtir efeito. O market share nas duas principais categorias apresentou recuperação sequencial a partir do segundo semestre, com biscoitos saindo de 25,4% no 1T25 para 27,5% no 4T25, e massas mantendo patamar próximo a 31%.
O problema do ano ficou no custo. O CPV cresceu 11,4% — acima da receita —, pressionado pelo óleo de palma, que operou em patamar significativamente mais elevado que 2024 (acima de US$990/ton no final do ano), pela desvalorização do real frente ao dólar e pelo impacto da PLR provisionada em 2025, que havia sido estornada em 2024 gerando uma base de comparação favorável. O resultado foi compressão de margem bruta de 34,4% para 32,2% e queda de 7,9% no EBITDA, que saiu de R$1,2 bilhão para R$1,1 bilhão, com margem EBITDA recuando 1,8 p.p. para 10,6%. O lucro líquido, por outro lado, cresceu 2,1% para R$659,8 milhões, beneficiado por um resultado financeiro positivo de R$17 milhões (ante negativo de R$6,2 milhões em 2024) e por uma alíquota efetiva de IR baixíssima, de 6,8%, frente a 21,6% no ano anterior.
Na estrutura de capital, o movimento foi expressivo: a companhia saiu de dívida líquida de R$24,6 milhões para caixa líquido de R$554,1 milhões, fruto da geração de caixa operacional de R$1,4 bilhão e da redução de 40,6% no endividamento bruto — com 95% da dívida remanescente concentrada no longo prazo. A alavancagem chegou a 0,5x caixa/EBITDA, posição financeira mais confortável que a Companhia tem apresentado em anos recentes. A Fitch reafirmou o rating AAA pelo oitavo ano consecutivo. Adicionalmente, a empresa distribuiu R$439 milhões em dividendos em 2025, com dividend yield de 6,5% — salto expressivo frente ao 1,7% de 2024 — e a ação MDIA3 valorizou 26% no ano.
O cenário de custos para 2026 apresenta sinais mistos. O trigo operou em queda ao longo do segundo semestre de 2025, beneficiado por safras recordes globais e produção argentina forte — o que tende a aliviar o custo de farinha. O óleo de palma, contudo, permanece pressionado por consumo elevado para biodiesel e oferta estruturalmente limitada em Indonésia e Malásia. Com o real ainda depreciado frente ao dólar, a equação de custos de matéria-prima segue desafiadora no curto prazo.
Conclusão do Analista
A M. Dias Branco continua sendo uma das empresas de maior qualidade do setor de consumo brasileiro, com marcas fortes, distribuição extremamente capilarizada e um balanço impecável. A companhia segue líder em massas e biscoitos, além de apresentar elevada geração de caixa e posição financeira confortável.
Apesar disso, entendemos que o cenário estrutural para a tese ficou mais desafiador. A combinação entre dificuldade de repasse de preços, pressão de custos e mudanças no padrão de consumo — especialmente com o avanço dos medicamentos GLP-1 — pode limitar o crescimento e pressionar margens por um período prolongado. Por isso, reiteramos recomendação de **VENDA** para MDIA3.