A Klabin iniciou 2026 mantendo uma operação sólida, mas ainda atravessando um período de pressão sobre retorno e geração de caixa em função do ciclo recente de investimentos. O trimestre foi marcado pela continuidade da estratégia de desalavancagem, com redução relevante da dívida bruta e melhora gradual da estrutura de capital, mesmo em um ambiente ainda desafiador para o setor de papel e celulose.
O principal destaque financeiro do período foi a redução do endividamento. A dívida bruta caiu R$ 3,9 bilhões no trimestre, impulsionada por pré-pagamentos, amortizações antecipadas e efeitos positivos da valorização do real frente ao dólar. Como consequência, a alavancagem em reais recuou para 3,1x Dívida Líquida/EBITDA, reforçando a expectativa de que a companhia entra agora em uma fase mais focada em desalavancagem após o intenso ciclo de CAPEX dos últimos anos.
Apesar disso, o retorno sobre o capital investido (ROIC) permaneceu pressionado, encerrando o trimestre em 9,5%, abaixo do registrado no ano anterior. Esse movimento reflete justamente o aumento do capital investido nos últimos anos, especialmente ligado à modernização da unidade de Monte Alegre e aos investimentos realizados recentemente, enquanto os ganhos operacionais dessas expansões ainda são capturados de forma gradual.
A companhia também manteve posição de caixa confortável, com aproximadamente R$ 8,9 bilhões em disponibilidade ao final do trimestre. Parte relevante do consumo de caixa no período esteve ligada justamente às amortizações antecipadas da dívida, incluindo o resgate dos Green Bonds de 2027, reforçando a postura mais conservadora da gestão em relação à estrutura de capital.
Mesmo com o cenário ainda desafiador para commodities globais, a Klabin segue demonstrando resiliência operacional e disciplina financeira. Agora que o ciclo mais pesado de investimentos ficou para trás, a expectativa passa a ser de uma companhia mais focada em geração de caixa, redução de alavancagem e potencial aumento da distribuição de dividendos ao longo dos próximos anos.
Conclusão do Analista
A Klabin atravessou um dos maiores ciclos de investimento da sua história e hoje começa a entrar em uma nova fase operacional. Após anos de CAPEX elevado com os projetos Puma I e Puma II, a companhia tende a direcionar uma parcela cada vez maior da geração de caixa para desalavancagem financeira e distribuição de dividendos.
Além disso, a empresa combina características raras dentro do setor de commodities: elevada diversificação operacional, exposição relevante a produtos de maior valor agregado e margens historicamente resilientes. Mesmo com a volatilidade natural do setor de papel e celulose, seguimos enxergando uma relação risco-retorno atrativa para KLBN4 no longo prazo.