O Inter encerrou 2025 com lucro líquido recorde de R$1,31 bilhão, alta de 45% em relação a 2024, e o 4T25 trouxe R$374 milhões no trimestre — crescimento de 36% na comparação anual. O ROE chegou a 15,1% no trimestre, superando a marca psicológica de 15% que o mercado acompanha de perto como referência de maturidade do modelo. A trajetória é consistente: o lucro cresce há onze trimestres consecutivos sem interrupção, reflexo de uma plataforma que combina crescimento de base, expansão de NIM e disciplina de custos.
A carteira de crédito foi o principal motor do resultado, crescendo 36% no ano — três vezes o ritmo do mercado brasileiro. Os destaques ficaram com o financiamento imobiliário (+48%, chegando a R$10 bilhões), o Consignado Privado (lançado em março, já com R$1,9 bilhão e 500 mil clientes em menos de um ano) e o cartão de crédito (+29%). A NIM 2.0 atingiu 9,6%, novo recorde, com trajetória ascendente ao longo de todo o ano — resultado da melhora no mix de crédito, segmentação mais fina de clientes e alocação de capital mais eficiente. O funding acompanhou o ritmo, chegando a R$73 bilhões (+32%), com custo de captação de 65,6% do CDI — um dos mais competitivos do setor dado o ambiente de Selic elevada.
O crescimento de clientes também segue sólido: 43,1 milhões de clientes totais e 25 milhões de ativos, com taxa de ativação de 58% — alta de 200 bps em 12 meses. O engajamento na plataforma é crescente, com 21,5 milhões de logins diários e 32 milhões de transações financeiras por dia. O ARPAC bruto chegou a R$58,5 e o ARPAC líquido a R$35 — ambos em recorde histórico. O custo de servir (CTS) permaneceu estável em torno de R$13, o que levou a margem por cliente ativo a atingir R$21,2, também recorde. Esses números mostram que o Inter está conseguindo monetizar melhor sua base sem aumentar proportionalmente o custo operacional.
O ponto que merece atenção é o fee income ratio, que caiu de 31,8% para 24,1% na comparação anual. A receita de serviços foi pressionada por mudanças regulatórias (Resolução 4966), ambiente competitivo no Inter Shop e Inter Pag, e normalização dos ganhos de capital pontuais que inflaram 2024. Isso significa que o crescimento de receita está cada vez mais concentrado em crédito e NIM — o que é positivo em termos de qualidade, mas reduz a diversificação que o mercado aprecia em um super app. No crédito, o NPL acima de 90 dias teve leve alta para 4,7%, reflexo do crescimento do Consignado Privado ainda em fase inicial, cujo custo de risco esperado é maior que a média da carteira — o que é esperado e gerenciável dado o perfil colateralizado do produto.
A aprovação da licença bancária nos EUA é o wildcard estratégico mais relevante de médio prazo. Com ela, o Inter poderá reduzir custos de captação internacional, melhorar a eficiência da operação global e expandir o portfólio de produtos para os 5,4 milhões de clientes da Conta Global. O excesso de capital na holding chegou a R$2 bilhões no 4T25, o que também dá conforto para sustentar o crescimento da carteira sem pressão de capital nos próximos trimestres.
Conclusão do Analista
O Banco Inter vem se consolidando como uma das principais plataformas digitais do Brasil, com forte crescimento de base de clientes e evolução consistente na monetização. O modelo de super app, aliado ao uso intensivo de tecnologia, tem permitido ganhos relevantes de eficiência e engajamento.
Apesar dos desafios naturais do setor, como competição e necessidade de execução, a companhia apresenta um modelo escalável e com forte potencial de crescimento. Diante disso, seguimos com uma visão positiva para o ativo.