O 4T25 e o ano de 2025 marcam um ponto de inflexão relevante na tese da CVC Corp. Pela primeira vez desde a pandemia, a margem EBITDA Ajustada anual ultrapassou o patamar de 2019, atingindo 31,8% — confirmando que a reestruturação operacional não é só discurso, está aparecendo nos números. O EBITDA Ajustado do ano somou R$458,6 milhões, alta de 17,8% vs. 2024, com expansão tanto no Brasil quanto na Argentina, onde a recuperação do mercado começa a se traduzir em resultado concreto.
No lado operacional, as Reservas Confirmadas cresceram 16,1% no ano, chegando a R$16,8 bilhões. O B2B Brasil (+23%) foi o grande motor, liderado pela Rextur Advance — que manteve a posição de maior Consolidadora Aérea do Brasil e avançou em contratos globais. Na Argentina, o crescimento de 29% reflete as decisões estratégicas tomadas em 2024 (abertura de lojas, integração de backoffice, revisão de portfólio). Vale notar que a rede de lojas superou o patamar pré-pandemia, encerrando o ano com 1.646 unidades.
A geração de caixa operacional foi de R$412 milhões em 2025 — R$175 milhões acima de 2024 — impulsionada pela melhora no ciclo de capital de giro. A dívida líquida encerrou o 4T25 em apenas R$101,8 milhões, com alavancagem financeira de 0,2x EBITDA. Mesmo considerando as antecipações de recebíveis, o endividamento geral equivale a 1,8x EBITDA, uma melhora de 0,6x na comparação anual. A empresa também realizou o pré-pagamento de R$150 milhões em debêntures durante o ano — gesto concreto de compromisso com a desalavancagem.
O ponto que exige atenção é a linha financeira, que continua pesando no resultado. As despesas financeiras totalizaram R$273,1 milhões em 2025, alta de 35,9% vs. 2024, pressionadas principalmente pelos juros sobre antecipação de recebíveis (+R$58 milhões) e pelo aumento do IOF. O resultado líquido contábil ainda fechou negativo em R$40,9 milhões — embora 60% menor que em 2024. O lucro ajustado, por sua vez, foi de R$67 milhões, mais que o dobro do ano anterior. A companhia está próxima do break-even contábil; o custo do capital ainda é o principal obstáculo para a lucratividade plena.
No âmbito de gestão, houve troca de CEO em janeiro de 2026, com a entrada de Fábio Mader no lugar de Fábio Godinho. A transição foi apresentada como parte natural do plano estratégico, com foco em execução e performance. Os próximos trimestres serão o primeiro teste do novo comando — e o mercado estará atento.
Conclusão do Analista
A CVC atravessou um período extremamente desafiador, mas começa a mostrar sinais claros de recuperação operacional e financeira. A companhia vem reduzindo alavancagem, melhorando margens e ganhando eficiência após um ciclo intenso de reestruturação. Além disso, a retomada gradual do turismo e a expansão dos canais digitais reforçam a tese de recuperação. Com a expectativa de melhora macroeconômica, vemos espaço adicional para evolução dos resultados. Por isso, mantemos recomendação de COMPRA.